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sábado, 31 de julho de 2010

Um imenso aplauso no adeus a António Feio

Familiares, amigos e muitos desconhecidos aplaudem, pela última vez, o actor, António Feio. A urna deixou o palácio das Galveias, onde se realizou o velório, pelas 16h30, e dirige-se para o cemitério dos Olivais. O corpo do actor e encenador será cremado, às 17h30, numa cerimónia onde apenas estará presente um grupo muito restrito de familiares e amigos. A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o fadista Carlos do Carmo, foram algumas das personalidades que hoje, sábado, se juntaram no longo aplauso de despedida. Gabriela Canavilhas elogiou o trabalho de António Feio de aproximação do teatro aos espectadores. Por sua vez, Carlos do Carmo sublinhou "um criador inquieto, um português livre, que percebeu muito cedo o país real". Entre as várias dezenas de pessoas que hoje, sábado, preenchiam o átrio do Palácio das Galveias, em Lisboa, cuja bandeira estava a meia haste, estavam os actores Nuno Lopes, Maria Rueff, Bruno Nogueira, Adriano Luz, Márcia Breia e Maria Emília Correia, o encenador Carlos Avilez e o realizador João Canijo. O calor que se fez sentir não demoveu também os muitos anónimos, que quiseram prestar uma última homenagem ao actor e encenador que faleceu, vítima de cancro do pâncreas. "Toni és o maior, estás nos nossos corações", gritou uma admiradora de António Feio no momento em que o caixão era colocado no carro funerário. Entretanto, duas centenas de pessoas aguardavam a chegada do actor ao cemitério dos Olivais, onde será feita uma última cerimónia.
Fonte: JN

Família e amigos unidos no tributo a António Feio

Dezenas de familiares e amigos estiveram ontem no Palácio Galveias, em Lisboa, para prestarem homenagem a António Feio, que ali se encontra em câmara ardente. O funeral do actor e encenador teve lugar hoje, pelas 16 horas, no cemitério dos Olivais. O cortejo fúnebre partiu do Palácio Galveias, junto ao Campo Pequeno, onde o corpo se encontra, desde as 18h30 horas de ontem em câmara ardente, para o cemitério dos Olivais. Ao final da tarde de ontem, largas dezenas de familiares, amigos e personalidades da cultura, passaram pelo Palácio Galveias. Nomes como Ruy de Carvalho, a fadista Mariza, Victor Espadinha, Rogério Samora, Nuno Melo, Rui Veloso, Alexandra Lencastre, Bruno Nogueira ou Miguel Guilherme foram alguns dos amigos presentes. "Neste momento só quero estar a recordar o bom humor que ele tinha", afirmou, à entrada, o seu companheiro da "Conversas da Treta", José Pedro Gomes. "Ele continua aqui connosco", prosseguiu o actor, afirmando que António Feio "foi só um bocadinho mais à frente para tratar das coisas para quando nós formos ter com ele". "Falei com ele há pouco tempo e eu tinha a esperança de que as coisas tivessem um desfecho pelo menos mais prolongado no tempo, não estava à espera que esta doença tivesse um desfecho tão rápido", lamentou, por seu turno, um emocionado Virgílio Castelo. "Ele venceu a doença no sentido de a ter enfrentado sempre com sentido de humor e sempre acreditando mas ao mesmo tempo com uma lucidez imensa de que é a lei da vida e que temos que ir de alguma forma", apontou, por seu turno, a actriz Maria Rueff, recordando "um companheiro bastante divertido com uma capacidade de relativizar a dor e as pequeninas tragédias da vida". A actriz sublinhou "essa traquinice que ele tinha de levar o colega a desmanchar a rir", considerando que António Feio continuava, aos 55 anos, "a ser uma criança grande". "Trabalhar com ele era uma enorme festa e prazer", rematou. O actor Ruy de Carvalho preferiu salientar a "grande dignidade e coragem" de alguém que considerava "um filho". "A melhor homenagem que lhe podemos prestar", disse, minutos depois, o actor Victor de Sousa, "é gostarmos uns dos outros". "Esqueçam a minha doença. Parem para pensar", esta foi a última mensagem que o actor colocou na sua página pessoal no Facebook. Fê-lo pela última vez na madrugada do passado dia 17. Ontem, cerca das 15 horas, poderia ler-se uma mensagem da família agradecendo "o apoio incondicional" dos fãs do actor e informando os mesmos da oportunidade de uma última homenagem no Palácio Galveias, ou no acompanhamento do cortejo fúnebre que sairá deste espaço, por volta das 16 horas, em direcção ao cemitério dos Olivais. Para a história fica a lembrança de um artista talentoso que fez rir milhões e que, confrontado, há pouco mais de um ano com o facto de ter um cancro no pâncreas, fez do humor uma arma contra a doença. "Estou cá para dar cabo do bicho." Foi com estas palavras, ditas em directo na SIC, no dia 23 de Abril de 2009, que António Feio se referiu pela primeira vez publicamente. Durante todo o tempo em que lutou contra a doença, chegou a fazer tratamentos do estrangeiro, o humor foi sempre a sua arma. Contra a opinião dos médicos continuou a trabalhar. A sua última encenação foi para o espectáculo "Vai-se Andando", protagonizado por José Pedro Gomes, o amigo com quem partilhou inúmeros palcos e inúmeros êxitos de bilheteira, com destaque para o incontornável "Conversa da Treta". "O humor tem ajudado e essa é a minha grande arma. Se pudesse, matava o bicho a rir", confessou na mesma entrevista à SIC. Internado há mais de uma semana no hospital da Luz, em Lisboa, depois de, no mês passado, ter iniciado mais um ciclo de tratamentos com quimioterapia, António Feio acabou por falecer anteontem pelas 23h25, rodeado pela família (incluindo os quatro filhos - Sara, Bárbara, Kiki e Filipe) e amigos próximos. De acordo com fonte familiar o actor manteve a boa disposição até ao fim. "Se há coisa que costumo dizer é: aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento e não deixem nada por dizer, nada por fazer ", escreveu há tempos no Facebook. E honrar esse optimismo e persistência será a melhor forma de o homenagearmos.
Fonte: JN

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mais reacções à morte de António Feio

Virgílio Castelo: "O António foi um revolucionário, do meu ponto de vista, porque conseguiu provar isso na prática. Conseguiu provar que era possível fazer teatro transversal para muita gente ver e, sobretudo, com muita qualidade".
Jorge Mourato: "Acho que era um homem, talvez, que se mudou, mudou para saborear os pequenos momentos, saborear mais as pessoas que nos são próximas, e acho que acima de tudo é essa a lição que o António queria...esse texto que o António queria que nós decorássemos, era aproveitarmo-nos mais uns aos outros, que esta vida é tão curta."
Rui Mendes: "Lembro-me muito bem da estreia dele, quando tinha 12 anos, acho eu. Era um miúdo com muita graça. Há uma coisa que fica e que jamais se esquecerá que é o trabalho que ele fez com "O Que Diz Molero". Encenou e representou com o José Pedro Gomes e foi um trabalho fantástico."
António Reis: "É uma referência nacional no teatro. Aos 55 anos, tinha ainda muito para dar. Perdemos um homem muito novo, com muita qualidade e com muito para dar."
Álvaro Covões: "António Feio foi uma pessoa com uma personalidade muito vincada e que acreditava muito na sua profissão. Isto dói, hoje é um dia muito triste".
Inês Santos: "Foi com enorme tristeza que recebi a notícia de que o grande actor e grande homem António Feio nos deixou. Gostava muito dele e acreditava na sua vitória".
Ana Rocha: "Guardo memórias de um dos melhores professores que tive na vida: António Feio. Fico profundamente triste. É uma perda gigante, tanto artísticamente tanto enquanto pessoa. A todos os meus colegas do grupo de Benfica um abraço sentido. Obrigada António pela carreira que me proporcionaste e por tudo o que me ensinaste".
Nuno Markl: "Custa-me muito a aceitar que o António Feio se foi embora. Dita a razão que todos devíamos estar preparados para isto, mas a verdade é que raras vezes se viu alguém enfrentar um cancro com tamanha coragem e, porque não dizê-lo, sentido de humor. E isso não merecia um final feliz. Se a vida fosse como em alguns filmes, um homem que se fez a um terrível drama com a incrível alegria que o Feio foi mantendo - dentro da medida do possível, mas, por vezes, para lá disso - em tudo o que ia escrevendo no seu Facebook, no trabalho que continuava a fazer, na pequena janela de chat que se abria, de vez em quando, aqui no meu computador e onde me dizia que lá ia indo, ele teria vencido a doença. Infelizmente, a vida é, boa parte das vezes, uma valente merda.Não exagero quando digo que era um sonho trabalhar com ele: um bom homem, humilde, talentoso, adepto do trabalho em equipa, do diálogo para que tudo corresse na perfeição".
Maria Rueff: "Estou profundamente sentida com a morte do António. Vou ficar sempre com a memória de um extraordinário encenador, de um ator de comédia excepcional, que lutou sempre até ao fim contra a doença que o levou. Vou ter muitas saudades dele, mas sei que ele estará a sorrir onde quer que esteja"
Manolo Bello: "Perdeu-se um grande homem e um grande actor. Era muito importante para o País. Amigo de toda a gente, estava sempre disponível. Lembro-me do António, há mais de 20 anos, no programa do Joaquim Letria, com o Nuno Artur Silva. Andava sempre preocupado com os textos, por causa da censura... Encarou este último momento da sua vida com muita dignidade".
Fonte: Caras

O que António Feio disse sobre a vida e a morte

"Se voltasse atrás fazia a mesma escolha. É uma vida angustiante, o trabalho não garante estabilidade, nunca se sabe quando se tem um bom espectáculo na mão, mas a noção permanente do desafio e pequenos momentos como este [dia em que festejou os 30 anos de carreira e a última actuação de "O Que Diz Molero", no Porto], em que vemos todo o esforço reconhecido, compensam em muito as adversidades."
"Há uma certa camada teatral que acha que pelo facto de uma pessoa ter público os trabalhos são necessariamente maus (…), o que eu acho um completo absurdo. Eu tenho uma preocupação com o público e acho que se o teatro tem a possibilidade de ter esse impacto que é alterar um bocado a vida ou preencher alguns espaços da vida das pessoas isso é muito mais importante"
"Posso dar-me ao luxo de dizer que tudo o que fiz até hoje deu- me muito gozo. Sinto-me privilegiado. Tenho feitas coisas que gosto muito e com quem gosto."
"É óbvio que vou morrer mas isso todos vamos. O que me assusta não é a morte, é viver mal a vida. (...) Há um ano eu era um homem diferente. Passei a dar mais atenção às coisas fundamentais, os amigos, os filhos."
"Todos temos altos e baixos mas acho que sempre consegui ver o que é que pode fazer-se, como podem resolver-se as coisas, mas de uma forma mais ou menos tranquila. Através da doença descobri coisas muito boas, nomeadamente a solidariedade das pessoas, a cumplicidade com este problema. É gratificante saber que podemos ajudar os outros a superar problemas idênticos."
"Se há coisa que eu costumo dizer é: aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento e não deixem nada por dizer, nada por fazer. "
"Há ano e meio soube que tinha cancro. Mas o que o assustava não era a morte, mas sim viver mal. O seu lema: a vida é para saber aproveita"
Fonte: DN

A luta e a carreira de António Feio

"Estou cá para dar cabo do bicho." Foi com estas palavras, ditas em directo na SIC, no dia 23 de Abril de 2009, que o actor e encenador António Feio se referiu pela primeira vez publicamente à doença que o afectava. O bicho, um cancro no pâncreas, tinha lhe sido diagnosticado um mês antes e o actor admitia que o caso era complicado. No entanto, apesar dos tratamentos e dos complicados efeitos secundários, António Feio nunca se recusou a falar da doença (fazia-o frequentemente no Facebook) e fez questão de ter sempre uma palavra de optimismo (até quando a irmã morreu, em Setembro, exactamente com a mesma doença). "Estou preso a um medo de morrer e, ao mesmo tempo, agarrado à esperança de uma cura", diria, em Outubro, numa entrevista a Judite de Sousa, na RTP1. "O humor tem ajudado e essa é a minha grande arma. Se pudesse, matava o bicho a rir", confessou na mesma entrevista. Não podendo, dispôs-se a viajar ao estrangeiro, a consultar os melhores especialistas, a gastar muito dinheiro. Chegou a deixar de fumar, mas só por algum tempo pois acabou por não resistir ao vício e a um dos seus poucos prazeres nos últimos tempos. Internado há mais de uma semana no Hospital da Luz, em Lisboa, depois de no mês passado ter iniciado mais um ciclo de tratamentos com quimioterapia, António Feio morreu ontem, às 23h25, rodeado pela família e amigos mais próximos. Estiveram lá todos, incluindo os quatro filhos (Sara, Bárbara, Kiki e e Filipe) . "Cheguei ao fim da linha", terá comentado o actor, que manteve a boa disposição até ao fim. António Feio, 1,80 metros de altura, muito magro, se não fosse actor, seria músico. Tocava guitarra e fê-lo em alguns espectáculos. Ria-se com Seinfeld e recordava até hoje o livro "Cem Anos de Solidão", de García Márquez, lido da adolescência. Não sabia cozinhar. Tinha bom feitio. Era "um tipo porreiro". António Feio, o drogado Nando da telenovelas "Origens", o encenador de belíssimos espectáculos infantis, o Tóni do colete de pele de vaca, o homem que, com o inseparável amigo José Pedro Gomes e Miguel Guilherme, pôs mais de 80 mil pessoas a ver "Arte" (1998), uma peça onde se discute a arte abstracta, riu até ao fim de si mesmo. E quem o viu no ano passado nos "Contemporâneos", a brincar com a doença e com o facto de Nuno Lopes lhe ter oferecido o Globo de Ouro que acabara de ganhar, não pôde evitar rir-se com ele. Nasceu em Lourenço Marques em 1954. Aos sete anos, o pai, engenheiro agrónomo, enviou a família para Portugal para que os quatro filhos pudessem prosseguir os estudos. Instalaram-se em Carcavelos. "A minha mãe fazia teatro amador e foi para o Teatro Experimental de Cascais (TEC). Eu ia assistir aos ensaios e quando foi preciso um puto para a peça infantil encenada pela Glicínia Quartim lembraram-se de mim...", contava Feio, embora considerasse que a estreia "a sério" viria a acontecer pouco depois, em "O Mar", de Miguel Torga, encenado por Carlos Avilez. "Tinha 12 anos. Na altura havia poucos putos e eu nunca mais parei". Em 1969, voltou com a família para Moçambique e o teatro ficou relegado para segundo plano. Mas em 1974, o TEC foi a Moçambique e Avilez lembrou-se dele para a digressão. Entusiasmado, António Feio viajou com o grupo para Portugal, decidido a ser actor. Costumava dizer que entrou na profissão "pela porta do cavalo", sem fazer o conservatório. "Aprendi com os melhores da minha geração." E não se deu mal. Esteve no Adoque com Francisco Nicholson e nos anos 80, confessava-se rendido ao teatro de revista: "Adoro a hipótese de fazer tipões." Entretanto, a televisão. Foi no Clubíssimo, de Joaquim Letria, que em 1988 António Feio e José Pedro Gomes compuseram, pela primeira vez, uma parelha humorística, com sketches escritos por Nuno Artur Silva. Desde então, a carreira dos dois confunde-se. No Auditório Carlos Paredes, em Benfica, onde Feio dava aulas de representação, estreou-se em 93 "Inox - Take 5", depois "O Que Diz Molero" (94) e, em 97, a primeira "Conversa da Treta". Dali para o Teatro Villaret, no centro de Lisboa, para concretizar o seu projecto: "Senti o tipo de teatro que queria fazer e que ninguém fazia. Um teatro que é entretenimento, mas que também põe a pensar quem o vê", explicaria. Um teatro que tem público e que sobrevive sem subsídios do Estado. Apesar da doença, encenou recentemente duas peças: "Vai-se Andando", com José Pedro Gomes, e "Homens de Escabeche", com José Fidalgo e Joana Estrela. Nos últimos meses foi avô, festejou a vitória do Benfica no campeonato e foi condecorado pelo Presidente da República. Dizia que o seu maior defeito é preguiça, e a maior qualidade é persistência. É dessa persistência, no teatro e na vida, que nos iremos lembrar.
Fonte: DN

Reacções de colegas e amigos à morte de António Feio

O encenador Carlos Avillez mostrou-se hoje desgostoso com a morte do actor António Feio, cujo trabalho e "exemplo de coragem" pretende "divulgar muito" entre alunos e profissionais do teatro. "Sinto um grande desgosto, saudade e ternura", disse, com a notícia do falecimento, quinta feira à noite, na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, onde estava internado com cancro no pâncreas. Actor e encenador, António Feio, de 55 anos, estreou-se no teatro com Carlos Avillez, que o convidou para entrar na peça "O Mar", de Miguel Torga, no Teatro Experimental de Cascais (TEC), a 06 de maio de 1966, tinha apenas 11 anos. "Era um miúdo muito simpático, com um grande sorriso, que manteve sempre", recordou Carlos Avillez em declarações à agência Lusa, acrescentando que logo nessa peça "obteve grandes ovações do público". O encenador acrescentou que acompanhou sempre a carreira de António Feio, mesmo quando deixou o TEC e continuou o seu trabalho pelo teatro, televisão e cinema. Ruy de Carvalho, que contracenou com António Feio quando este ainda era uma criança, diz "perdi um filho. Um filho do teatro, da representação". "Diverti-mo-nos juntos, vivemos juntos", recorda o actor Nicolau breyner. Fica, no entanto uma certeza para o actor "ele continua vivo no nosso coração e na nossa memória". O funeral realiza-se sábado, pelas 16h00, partindo do Palácio das Galveias para o Cemitério dos Olivais, em Lisboa.
Fonte: DN

José Pedro Gomes reage à morte de António Feio

O actor José Pedro Gomes, amigo e parceiro de trabalho de António Feio durante mais de 30 anos, destacou que o encenador "contribuiu muito para que o teatro voltasse a encontrar-se com o público". "É uma perda muito grande para os amigos e para todos os portugueses", disse José Pedro Gomes à Agência Lusa a propósito do falecimento de António Feio, vítima de cancro no pâncreas. Conhecidos pela dupla da "Conversa da Treta", que apresentaram primeiro na televisão, depois no teatro e cinema, António Feio e José Pedro Gomes personificaram Toni e Zezé, os dois amigos que satirizavam uma certa forma de estar dos portugueses. "Era um grande amigo, e um homem cheio de coragem", destacou o actor que acompanhou António Feio sobretudo a partir dos anos 1990 também em espectáculos como "O Que diz Molero", de Diniz Machado, "Arte", de Yasmina Reza, "Dois Amores", de Ray Conney, e "Jantar de Idiotas", de Francis Veber. Ao longo dos anos surgiu "uma amizade muito forte e uma grande cumplicidade" entre ambos. "Chegámos a um entendimento precioso", disse ainda o actor, avaliando a perda que para ele significa o culminar da luta contra a doença que vitimou António Feio.
Fonte: JN

Políticos destacam qualidades de António Feio

A ministra da Cultura enalteceu a inteligência e sensibilidade "muito particular" do actor António Feio. O presidente da República destacou as "elevadas qualidades humanas e artísticas" do actor e encenador, cujo desaparecimento deixa um "enorme vazio". É "muito justo que, neste momento de luto, preste a minha homenagem a um homem de elevadas qualidades humanas e artísticas que lhe granjearam o respeito de todos os que acompanharam o seu percurso pessoal e profissional", escreve Cavaco Silva, numa mensagem de condolências à família de António Feio. Expressando "grande pesar" pela notícia da morte de uma "figura bem conhecida e querida dos Portugueses", o presidente da República considera que o desaparecimento de António Feio "deixa um enorme vazio entre todos os que se habituaram a conviver com ele". "Em nome do Povo Português, em nome da minha mulher e em meu nome pessoal, apresento sentidas condolências à família do actor e encenador que, pela sua longa carreira e pela forma como influenciou as novas gerações de atores, se transformou numa figura incontornável do teatro, cinema e televisão em Portugal, ganhando ao longo dos anos a estima de todos os Portugueses", pode ler-se. "O humor é uma das formas mais difíceis da actividade teatral. Só alguém com uma inteligência muito particular e uma sensibilidade muito particular tem sucesso no humor", disse à Lusa Gabriela Canavilhas numa reacção à morte de António Feio. "É um momento de grande pesar para todos nós do meio cultural e em especial do meio teatral e também para os espectadores que se habituaram a ver no António Feio alguém muito próximo", referiu a ministra da Cultura, elogiando a simplicidade, humildade e a "relação franca e próxima dos espectadores". Lamentando a morte "tão prematura" de António Feio, Gabriela Canavilhas sublinhou que o actor ainda "tinha muito para dar ao teatro português". António Feio, que lutava há vários meses com um cancro no pâncreas, morreu na quinta-feira no Hospital da Luz, em Lisboa.
Fonte: JN

Amigos lamentam partida precoce de António Feio

Os humoristas Herman José e Bruno Nogueira recordam o bom humor de António Feio, que lutou, em público, mais de um ano contra um cancro do pâncreas. O encenador Carlos Avilez confirmou a morte do actor e amigo. Disse ter falado há poucos dias tempo com o irmão de António Feio, que sabia que estava mal, mas que não esperava um golpe destes. "Perdemos um grande actor, um grande homem. Uma pessoa insubstituível. Uma pessoa com muito humor e uma grande paixão pelo teatro", disse o encenador Carlos Avilez, em declarações à SIC Notícias.
Bruno Nogueira: Bruno Nogueira, humorista que trabalhou e conviveu com António Feio, recorda o bom humor de António Feio, no palco e na vida. "Era um ser humano extraordinário. Era raro ver o António chateado ou de mau humor", disse. Em declarações à SIC Notícias, Bruno Nogueira recordou a capacidade de António Feio de "relativizar" as situações más. Foi assim, e com bom humor, que reagiu e combateu a doença, nunca se escudando a dar a cara e a contar as dores da luta contra o cancro.
Herman José: Herman José recordou, na morte de António Feio, a dor de um amigo comum. "Não consigo imaginar a dor de José Pedro Gomes neste momento, porque eles funcionavam os dois como um só organismo", disse o humorista. Em declarações à RTPN, Herman José interrogou-se, como todos nos questionamos quando alguém próximo morre, sobre a lógica da vida. "Não faz sentido que tão boa pessoa morra assim", desabafou o actor e humorista.
Nuno Artur Silva: Nuno Artur Silva, autor de vários textos interpretados por António Feio, diz que a morte do actor aconteceu "cedo demais" e lembrou o "grande sentido de humor" e a "grande simplicidade" do intérprete. "Era um tipo muito activo e pôs tantas gente a fazer coisas tão boas, que tenho imensa pena", confessou. Para Nuno Artur Silva, é "injusto" que "lhe tenha sido tirada a possibilidade de fazer o que ele fazia tão bem, que era, sobretudo, dirigir pessoas, encenar peças e entrar nelas e fazer isto tudo com um grande sentido de humor com grande simplicidade, sem complicar". Recordou ainda que a sua estreia em televisão aconteceu com o "melhor trio do Mundo", os atores António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme, num programa de Joaquim Letria, em finais dos anos 1990.
José Jorge Letria: Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores a morte de António Feio é "perda pesada" de quem se revelou com "um talento especialíssimo para a comédia". "O teatro português perde um dos seus actores mais versáteis e também um encenador muito experiente e inspirado e com um talento especialíssimo para a comédia. Uma comédia moderna, ágil, de costumes, muito virada também para o nonsense [disparate], para o jogo com a linguagem do quotidiano, coisa que aconteceu muito com a "Conversa da Treta" [com que António Feio fez dupla com o actor e amigo José Pedro Gomes]", afirmou José Jorge Letria. Em declarações à agência Lusa, o também escritor elogiou a "imagem muito popular" que António Feio tinha entre os jovens. "Ajudou muitos jovens a irem ao teatro, isso torna esta perda ainda mais pesada", frisou.
Carlos Avillez: O encenador Carlos Avillez mostrou-se desgostoso com a morte de António Feio, cujo trabalho e "exemplo de coragem" pretende "divulgar muito" entre alunos e profissionais do teatro. "Sinto um grande desgosto, saudade e ternura", disse, lembrando que o convidou para entrar na peça "O Mar", de Miguel Torga, no Teatro Experimental de Cascais (TEC), a 6 de Maio de 1966, tinha apenas 11 anos. "Era um miúdo muito simpático, com um grande sorriso, que manteve sempre", recordou Carlos Avillez em declarações à Agência Lusa, acrescentando que logo nessa peça "obteve grandes ovações do público".
Ana Bola: A actriz Ana Bola sublinhou que o seu colega António Feio deixa "um legado considerável que ficará para sempre na História do Humor" em Portugal. "Ele era um tipo sem mácula, incapaz de criar uma situação mais complicada aos outros. Era um excelente colega, sem necessidade de protagonismo porque ele era um protagonista natural", sublinhou, recordando que trabalhou com António Feio primeiro no teatro e depois na televisão, em séries de humor como "Os Bonecos da Bola". "Apesar da tristeza, temos que tentar dar a volta à situação e pensar que tivemos o privilégio de o conhecer", salientou a actriz. "Todos nós quisemos acreditar que ele iria mesmo matar o bicho, como ele dizia. Infelizmente foi o bicho que o matou, e prematuramente. Ele tinha ainda muito para fazer", concluiu.
Fonte: JN

António Feio 1954 - 2010

António Feio morreu, esta quinta feira, em Lisboa. O actor sofria de cancro e faleceu no hospital da Luz, cerca das 23h30. O funeral realiza-se amanhã, sábado, a partir das 16 horas, para o cemitério dos Olivais, em Lisboa. O corpo vai estar a partir das 18h30 de hoje, sexta feira, no Palácio Galveias. A página do Facebook de António Feio está inundada de mensagens de pesar e homenagens ao actor, que chegou à consagração junto do grande público com a "Conversa da Treta", ao lado do amigo José Pedro Gomes. O actor, de 55 anos, estava internado, havia duas semanas, no hospital da Luz , com um cancro do pâncreas em fase terminal. Durante o dia, largas dezenas de admiradores e amigos passaram pela página do actor no Facebook para deixar mensagens de apoio e de força na luta do actor contra a doença. Não foi suficiente. Faleceu, pouco depois das 23h30, na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, em Lisboa. A produtora UAU, em comunicado, confirmou a morte de António Feio e remeteu para mais tarde informações sobre as cerimónias fúnebres do actor e encenador. Agora, sucedem-se as mensagens de luto, as homenagens e até as palmas, provavelmente a maior e mais justa homenagem que se pode fazer a um actor que fez do palco a casa e da representação a vida. A 23 de Abril de 2009, António Feio falou, pela primeira vez, em público da doença, que em surdina já se comentava. "Vou combater o bicho". O cancro do pâncreas foi mais que um bicho, foi a besta fatal. Durante 15 meses, António Feio tentou tudo na luta contra o cancro. E assumiu publicamente a doença, a dor dos tratamentos, as viagens a Inglaterra. As derrotas e as esperanças, pequenas vitórias, numa batalha muito desfavorável ao actor, desde o início. António Feio disse-o aos amigos, em pessoa. Disse-o nas entrevistas. Falar da doença ajudava a combater o bicho. António Feio perdeu a batalha contra o bicho, mas ganhou, ainda, mais respeito dos portugueses. Morreu mas ficará na memória de milhões, tantos que se riram dele e com ele, por muitos anos. António Feio nasceu em Lourenço Marques a 6 de Dezembro de 1954. Morreu, esta quinta-feira, aos 55 anos, em Lisboa, cidade de acolhimento desde os sete anos. O inesquecível papel de António Feio, ao lado de José Pedro Gomes, em "O Que Diz Molero", "Perdidos em Yonkers" e "Duas Semanas com o Presidente" são outros trabalhos que granjearam fama e simpatia ao actor. Divorciado, tinha quatro filhos. Dois do primeiro casamento, com a jornalista Lurdes Feio, e outros dois do relacionamento, de 18 anos, com a actriz Cláudia Cadima. António Feio começou a carreira aos 11 anos, no Teatro Experimental de Cascais, depois de o seu director, Carlos Avilez, o ter convidado para fazer a peça "O Mar", de Miguel Torga, que estreou a 6 de maio de 1966. Além do Teatro Experimental de Cascais, onde esteve alguns anos, o actor actuou no Teatro Aquarius, que fundou, na Cooperativa de Comediantes Rafael de Oliveira, no Teatro Popular Companhia Nacional I, no Teatro S. Luiz, no Teatro Adoque, no Teatro ABC, na Casa da Comédia, no Centro de Arte Moderna, no Teatro Aberto, no Teatro Variedades, no Teatro Nacional D. Maria II e no Teatro Villaret, entre outros. António Feio fez ainda televisão, rádio, publicidade e cinema, tendo ficado conhecido pela dupla cómica que formava com o ator e amigo José Pedro Gomes. A 27 de Março, o comediante recebeu do Presidente da República, Cavaco Silva, o grau honorífico de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Fonte: JN

domingo, 18 de julho de 2010

António Feio debilitado com tratamentos

Foi no princípio desta semana que António Feio começou o novo tratamento de quimioterapia que vai fazer nos próximos três meses. Contrariamente aos tratamentos anteriores, as novas sessões de quimioterapia duram dois dias seguidos, com um intervalo de 15 dias. Por isso mesmo, o actor já está a sentir os efeitos da primeira sessão. "Esta quimio deixou-me muito fraco fisicamente! Não tenho nem energia, nem tempo, nem disposição para poder ler as vossas mensagens! Peço-vos que, enquanto estiver assim, me poupem! Obrigado!". Foi esta a mensagem que António Feio escreveu no seu mural do Facebook, onde explica o seu estado actual e justifica a ausência temporária. Na realidade, os tratamentos anteriores de quimioterapia eram feitos em sessões de uma hora, pelo que os efeitos secundários não eram tão fortes como neste método.
Fonte: Lux

sexta-feira, 2 de julho de 2010

António Feio prepara-se para novos tratamentos

Foi com o optimismo e a boa disposição a que já nos habituou que António Feio descreveu a preparação para as novas sessões de quimioterapia, desta vez em Lisboa. Referindo-se ao cateter que lhe foi introduzido, o actor e encenador escreveu na sua página no Facebook: "Já me implantaram uma porta USB no corpo. Gelo na zona e tudo tranquilo."
Fonte: CM

segunda-feira, 24 de maio de 2010

António Feio optimista com novos exames

António Feio encontra-se em Madrid para realizar novos exames. Na última consulta, o humorista foi informado que teria que realizar novos exames, partilhou Feio através do Facebook. "Após a consulta e uma ecografia abdominal o programa de festas para amanhã é: fazer uma laparóscopia", escreveu António Feio, acrescentando que "o que tem de ser tem muita força e tal tem sido normal até aqui a minha atitude é muito POSITIVA". Por causa do novo exame - uma cirurgia minimamente invasiva - o actor terá de ficar internado entre 24 a 48 horas.
Fonte: Lux

quinta-feira, 13 de maio de 2010

António Feio já é avô

Primeiro neto do actor nasceu na madrugada desta quinta feira, anunciou o orgulhoso avô no Facebook. "Desde as 1h48 sou avô!!! É lindo o Dinis ou não fosse Feio!!! 2.975kg!!! A mãe e o pai estão radiantes!!!", escreveu António Feio no seu perfil. Dinis é o primeiro neto do actor e encenador e filho de Bárbara, a sua descendente mais velha. Estreante no papel, Feio assumiu-se babado também na concorrida rede social. Com o nascimento do neto, António terá agora de se dividir entre os mimos ao bebé, os tratamentos em Madrid e os últimos ensaios da peça "Homens de Escabeche", que estreará a 17 de Maio, no Teatro de Campo Alegre, no Porto.
Fonte: JN

domingo, 2 de maio de 2010

António Feio encena nova peça

A encenar a peça "Homens de Escabeche", a estrear em meados de Maio, no Porto, artista divide-se ainda pela família em Lisboa e os tratamentos em Madrid. Aos 55 anos, António Feio aprendeu a relativizar e a dar importância aos pequenos pormenores. Numa luta diária contra o cancro no pâncreas, actor e encenador não baixa os braços e fala do problema com a mesma clareza com que partilha os seus projectos profissionais. Actualmente, está no Porto a encenar a peça "Homens de Escabeche", com José Fidalgo e Joana Estrela, que, em meados de Maio, estreia no Teatro de Campo Alegre. Mesmo depois de mais um tratamento em Madrid, como o do início desta semana, Feio cumpre as suas obrigações com uma motivação assente numa postura optimista de quem tira o melhor mesmo do pior que a vida pode apresentar, como frisou numa conversa serena.
Fonte: JN

quarta-feira, 24 de março de 2010

António Feio e José Pedro Gomes condecorados

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Teatro, o Presidente da República vai condecorar, na sexta-feira, as sete figuras que mais se destacaram no mundo da arte dramática. Os actores José Pedro Gomes e António Feio fazem parte dos profissionais que recebem a agraciação de Aníbal Cavaco Silva. A cerimónia decorre no Museu dos Coches e, segundo nota da Presidência, após a condecoração segue-se a exibição de uma peça teatral. Além dos actores já referidos, também Ruy de Carvalho receberá, das mãos do Presidente da República, o grau honorífico de Grande Oficial da Ordem de Sant’iago da Espada. As actrizes Manuela Maria e Beatriz Batarda, o actor António Feio e o encenador Joaquim Benite serão condecorados com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Fonte: CM

domingo, 14 de março de 2010

António Feio volta a fazer novos exames

Com um novo visual e o sorriso de sempre. É assim que agora António Feio se apresenta. O cabelo rapado - "em estilo cabriolet" - como o próprio faz questão de referir, foi uma necessidade das circunstâncias. Mas não foi uma atitude dramatizada, garante. "Tive de tomar esta decisão porque comecei a sentir que o cabelo já estava a ficar fraco. Sempre que passava a mão, já ficava com alguns cabelos. Por isso decidi rapar logo, em vez de prolongar essa situação", explicou o actor.
Fonte: Lux

terça-feira, 9 de março de 2010

António Feio e José Pedro Gomes animaram programa da SIC

António Feio e José Pedro Gomes foram os grandes animadores de "Verdade ou Talvez Não" (SIC), conduzido por Bárbara Guimarães. Ao mito de que "rir faz bem à saúde", Feio não foi de modas e brincou com o cancro no pâncreas, que o afecta: "Este País só nos faz rir portanto é falso e eu sou a prova disso". Já José Pedro acrescentou, em jeito de brincadeira, que "se não rir fico irritadíssimo".
Fonte: CM

sábado, 6 de março de 2010

António Feio continua sereno

Um ano após ter iniciado a sua luta contra o cancro e tendo recentemente aparecido com o cabelo totalmente rapado, precavendo-se contra os efeitos da quimioterapia, António Feio continua optimista nesta luta, realça o grande apoio que sempre tem tido por parte de familiares e amigos e afirma que sempre encarou o diagnóstico com naturalidade. Realista, o actor e encenador declarou que aceitou a notícia sem grandes dramas visto que diz nunca ter pertencido àquele tipo de pessoas que encaram estas doenças como "coisas que só acontecem aos outros". "Ao longo deste tempo todo, nunca me perguntei porquê a mim? Estas coisas acontecem a muita gente e nós não estamos fora do baralho", declarou o actor, acrescentando que, além disso, mais cedo ou mais tarde, é natural que as pessoas acabem por pagar a factura da forma como viveram a vida, deixando transparecer que os cuidados que sempre teve com a sua saúde poderão não ter sido os mais correctos.
Fonte: Novelas Nacionais

sexta-feira, 5 de março de 2010

António Feio: um ano de luta contra o cancro

Sempre muito optimista - "o optimismo é o meu segredo" -, o actor tem mantido as forças com a ajuda da família e dos amigos. Garante que sempre encarou a doença com alguma normalidade. "Ao longo deste tempo todo, nunca me perguntei porquê a mim?, porque nunca achei que os problemas só acontecem aos outros. Estas coisas acontecem a muita gente e nós não estamos fora do baralho. Além disso, mais cedo ou mais tarde, pagamos a factura pela forma como vivemos a vida. Pela falta de cuidados que temos. Por isso, para mim, esta não foi uma coisa totalmente inesperada".
Fonte: Lux