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quinta-feira, 29 de julho de 2010

ERC conclui que Prisa inflenciou suspensão do "Jornal Nacional 6ª"

A Entidade Reguladora da Comunicação Social concluiu que a administração da TVI foi "significativamente influenciada pelos Administradores da Media Capital, especialmente os que aí representavam o grupo Prisa" na decisão de suspender o "Jornal Nacional 6ª" da TVI. Porém, não dá como demonstrado que essa decisão "tenha sido determinada por interferências do poder político". De acordo com a análise da ERC, o argumento que mais pesou na decisão, que atribuem essencialmente à pressão exercida pelas administradores da Prisa Jose Luis Cebrian e Manuel Polanco, foram a difícil condição financeira da empresa. O regulador baseou-se, para esta conclusão, na análiese de 15 depoimentos presenciais de pessoas envolvidas, como Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz, jornalistas e chefias da TVI, bem como em alguns depoimentos escritos. Afastando o cenário de interferências do poder político na suspensão deste programa apresentado por Manuela Moura Guedes, a ERC não deixa de concluir que a decisão das administrações da TVI e da Media Capital tinha a "expectativa de regularização das relações entre o operador e o Governo". Além disso, "entre os vários factores que estiveram na origem da decisão de suspender o "Jornal Nacional 6ª", se encontram o peso e impacto das reacções públicas de crítica ao programa provenientes de responsáveis do Partido Socialista, nomeadamente, o seu Secretário-Geral", acrescenta a Entidade Reguladora, que afirma também não haver provas da influência directa do socialista António Vitorino neste assunto. Na deliberação, hoje divulgada, a ERC acrescenta ainda que ficou demonstrado que "as situações de contactos do primeiro ministro com jornalistas da TVI, como confirmado pelos próprios, não se relacionaram com o processo em curso, nomeadamente, com a cobertura jornalística do caso Freeport, nem se consubstanciaram em pressões ilegítimas". Para lá da deliberação, a ERC analisa num documento individual o tratamento feito ao caso Freeport anets e depois do fim do "Jornal Nacional 6ª". E como o tema foi tratado nas outras televisões. Reconhece que a presença do tema no "Jornal Nacional 6ª" era frequente, nomeadamente com investigação jornalística própria. E refere que, antes do anúncio do fim daquele jornal, a TVI emitiu duas peças de investigação sobre o tema. Mas entende não haver argumentos para estabelecer uma relação causa efeito. Por outro lado, a ERC conclui que não se prova que "a exclusão da TVI de uma campanha publicitária do Turismo de Portugal tenha consubstanciado uma tentativa do Governo de condicionamento da orientação editorial ou um mecanismo de retaliação dos conteúdos difundidos", e que "o BCP tenha imposto à Media Capital condições de crédito com outros fundamentos além dos das práticas normais de mercado". Por fim, a ERC reitera o que já tinha decidido em Outubro, ou seja, que a decisão da Administração da TVI de, à revelia do Director de Informação, suspender o "Jornal Nacional 6ª" foi ilegal.
Fonte: Público

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fim do "Jornal Nacional 6ª" foi decisão interna

Administrador delegado da Prisa rejeitou que tenha havido influência externa na decisão de cancelar o "Jornal Nacional" da TVI, em entrevista à Agência Lusa, em Madrid. "As decisões não só da TVI, mas de todos os nossos meios de comunicação, são tomadas autonomamente pelos directores. A empresa nomeia os directores, mas as decisões profissionais são tomadas pelos directores", afirmou Juan Luis Cebrián, responsável da empresa que controla a Media Capital, dona da TVI. O presidente da Prisa garantiu que a decisão foi exclusiva do administrador delegado da Media Capital [Bernardo Bairrão] e da direcção do canal de televisão. Juan Luis Cebrián garantiu nunca ter visto o "Jornal Nacional" e disse não conhecer a apresentadora Manuela Moura Guedes, admitindo, porém, que "amigos portugueses e espanhóis" lhe fizeram vários comentários sobre o jornal. "Depois da decisão ter sido tomada, recebi notícias de alguns amigos portugueses e espanhóis dizendo que esse telejornal não coincidia, no seu estilo profissional, com o estilo dos meios da Prisa", afirmou. Juan Luis Cebrián falou à Lusa em Madrid, à margem de um almoço do Fórum dos Portugueses, durante o qual analisou a situação da Prisa e dos meios de comunicação em Espanha e no mundo. Nessa intervenção, recordou que a saída de Manuela Moura Guedes do "Jornal Nacional" coincidiu com o fim do contrato do seu marido, José Eduardo Moniz, e disse tratar-se de "uma situação um pouco atípica de que o seu marido fosse o director-geral da televisão". Ao mesmo tempo admitiu que houve pressões "a favor e contra" o cancelamento do "Jornal Nacional", mas sublinhou que essa é uma situação normal. Quanto à percepção de proximidade entre a Prisa e os governos socialistas em Portugal e Espanha, o presidente da Prisa disse que praticamente não tem tido contacto com o executivo de José Sócrates, acrescentando que desde os contactos mantidos "há vários anos" com o Governo português, "através do primeiro-ministro e de outros ministros", aquando do investimento na Media Capital, os contactos têm sido reduzidos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Prisa diz que decisão de cancelamento partiu de Lisboa

A Prisa negou hoje, sexta-feira, qualquer interferência na polémica decisão tomada pela TVI de suspender o "Jornal Nacional 6ª", insistindo que se tratou de uma decisão da equipa de direcção em Lisboa. "Foi uma decisão que se insere no âmbito da gestão da direcção da cadeia (de televisão) e com o envolvimento da Direcção Geral da Media Capital", afirmou à Lusa fonte oficial da Prisa. "Quando se coloca à frente de uma empresa uma equipa de direcção temos que respeitar a sua decisão. E isso é tudo", sublinhou. A mesma fonte rejeitou ainda notícias de que o próprio Conselheiro Delegado da Prisa, Juan Luis Cebrián, se tenha envolvido directamente no caso, insistindo que a Prisa "respeita a independência de gestão" de todas as suas empresas. Normalmente, frisou a fonte, decisões como estas na TVI são tomadas por cada equipa directiva, no local onde está, sem consultas prévias à sede em Madrid e porque a Prisa "confia nas equipas gestoras que tem em qualquer local". "Naturalmente que depois, a nível interno, há uma cadeia de comunicação, mas as decisões não são tomadas com consultas prévias", frisou. Seria impensável, insistiu a fonte, considerar que cada decisão que se toma pelas empresas do grupo Prisa tivesse que passar pelo crivo da sede em Madrid. "A posição da Prisa é respeitar e confiar nas decisões das suas equipas de gestores, neste caso da TVI e da Media Capital", sublinhou. "Cada uma das empresas tem a posição que tem e uma equipa de direcção que actua. A Media Capital tem demonstrado ter mantido uma gestão que se evidencia nas audiências", frisou. Outras fontes da Prisa consultadas pela Lusa em Madrid manifestaram "surpresa" pela reacção em Portugal em torno à suspensão do jornal da TVI, considerando que é uma "decisão normal na gestão do dia-a-dia da empresa". Frisando "total independência de gestão" da Media Capital e da equipa directiva da TVI, responsáveis da Prisa insistem que no caso de Portugal "o que não está partido não é preciso compor". Em Julho de 2005 a Prisa, o maior grupo de comunicação social espanhol, que detém o El País, a rádio cadena SER e o canal de televisão Cuatro, tornou-se o accionista principal da portuguesa Media Capital, entrando deste modo na TVI. Em Outubro de 2006, a Prisa lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Media Capital, passando a controlar o grupo.

Prisa e TVI: cronologia de uma relação

Julho '05 - Prisa entra na Media Capital
Já com a TVI a liderar nas audiências, Paes do Amaral decide alienar parte da Media Capital (dona do canal televisivo). Em Julho de 2005, a Prisa, que detém o El País, uma rádio e o canal de televisão Cuatro, torna-se o accionista principal da Media Capital. O então líder do PSD, Marques Mendes, acusou os governos português e espanhol de cumplicidade neste negócio, lembrando as ligações do grupo ao PSOE. O ministro dos Assuntos Parlamentares devolveu as acusações que considerou como insultuosas.
Outubro '06 - Momento da OPA
O grupo espanhol Prisa lança uma Oferta pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital da Media Capital passando a controlar este grupo.
Abril '07 - A chegada de Pina Moura
Nova movimentação e nova polémica. Por esta altura, Joaquim Pina Moura (ex-ministro dos Governos de António Guterres) anuncia que deixou o lugar de deputado e todos os cargos no PS para integrar a Administração da Media Capital como presidente com funções não executivas, em substituição de Paes do Amaral, que deixou a empresa. Esta contratação é alvo da crítica do PSD que considera um descaramento total pôr um ex ministro socialista como presidente da TVI e uma prova do projecto político do PS de tomada de controlo do canal de televisão.
Dezembro '08 - Sinais da crise financeira
O ano de 2008 termina com o espanhóis da Prisa (altamente endividada) a darem sinais de uma situação financeira delicada. De tal forma que o grupo propõe um corte de 5% nas despesas correntes, a suspensão do pagamento de dividendos e o congelamento dos salários dos executivos em 2009 como soluções para enfrentar o serviço da dívida e a queda das receitas.
Fevereiro '09 - A saída de Pina Moura
Pina Moura apresenta demissão do cargo de presidente não- -executivo, alegando razões de natureza profissional. Entretanto, a atenção dos responsáveis da Prisa está virada para a renegociação da dívida, tendo conseguido in extremis negociar com os credores o adiamento por um ano de um crédito ponte de 1,9 mil milhões de euros. Comprometem-se ainda a reforçar o capital e a reestruturar o financiamento a três anos.
Junho '09 - Objectivo: vender
Entre as medidas para combater a crise, a Prisa inclui a intenção de vender 30% da Media Capital. A PT perfilou-se como o comprador mais bem colocado, mas a violenta polémica que este assunto gerou - e novamente com o Governo sob o fogo cruzado da Oposição a acusá-lo de concordar o negócio para poder ter controlo sobre a TVI - inviabilizou o negócio, tendo mesmo o Governo anunciado que usaria a sua golden share na PT para o vetar.
Agosto '09 - Moniz sai e Ongoing perfila-se
A 5 de Agosto, José Eduardo Moniz anuncia a saída do canal que ajudou a tornar líder de audiências para ocupar a vice-presidência da Ongoing. Este grupo, liderado por Nuno Vasconcellos, manifestou entretanto interesse em comprar os 30% da TVI à Prisa, mas o negócio está, para já, suspenso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Prisa reorganiza área do audiovisual

A gestão da produtora portuguesa Plural/NBP vai ser separada da da TVI, passando a estar sob responsabilidade de José Luis Sainz, que irá assumir a área de produção audiovisual da Prisa, anunciou esta quarta-feira o grupo espanhol.
De acordo com um comunicado divulgado, a reorganização da unidade audiovisual da Prisa visa "melhorar o desenvolvimento das áreas de negócio já existentes e avançar para novas oportunidades, aproveitando as sinergias entre as diferentes áreas da empresa".
A reestruturação levada a cabo pela Prisa implicou a divisão da área audiovisual do grupo em cinco áreas: televisão por assinatura, televisão em sinal aberto em Espanha, televisão em sinal aberto em Portugal, produção audiovisual e direcção de operações.
A Prisa acrescentou na mesma nota que a TVI vai lançar em breve um canal com notícias 24 horas por dia.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Grupo que detém a TVI corta despesas

A Prisa, que detém a TVI, propôs, esta sexta-feira, cortar 5 % das despesas correntes, suspender o pagamento de dividendos e congelar os salários de executivos em 2009 para enfrentar a dívida e a queda das receitas.
O anúncio foi feito em Madrid, durante uma assembleia-geral de accionistas na qual Juan Luis Cébrian - nomeado presidente da comissão executiva da Prisa - explicou o plano de poupança conjuntural que, segundo garantiu, não prejudicará a qualidade dos produtos Prisa. Os accionistas aprovaram um aumento de capital, além do refinanciamento da dívida (ascende a 4,2 mil milhões de euros) e a venda de activos como a Digital Plus. Segundo Cébrian, as negociações estão em curso com Vivendi-Canal Plus francês - consórcio que incluiria a Telefónica.