Miguel Guilherme e Isabel Abreu juntos em palco
Estaremos nós preparados para não ter um nome para dar às coisas que nos acontecem? Este é o mote para a peça "Blackbird", em cena desde quinta-feira até 21 de Fevereiro, no Teatro D. Maria II em Lisboa, que junta o realizador e encenador Tiago Guedes aos actores Miguel Guilherme e Isabel Abreu. Da autoria do dramaturgo escocês David Harrower, "Blackbird" oferece-nos episódios do passado e do presente de um homem e de uma mulher que tiveram uma relação quando ela tinha 12 anos e ele 40 e que se reencontram 15 anos depois. Ambos pássaros de asas quebradas, tentando cada um a seu modo continuar a voar. Ele partiu, mudou de nome. Ela ficou, enfrentou tudo e vai agora enfrentá-lo. E, se no início se tem a certeza de que é ela a vítima e ele o abusador, todas essas certezas vão sendo postas em causa à medida que as zonas de sombra daquele encontro se vão reve- lando. "Não há uma palavra para inventar ou explicar este amor", diz Miguel Guilherme , que, tal como Isabel Abreu, reconhece que "não tem certezas nem faz julgamentos de moral sobre aquelas personagens, pois só assim podem interpretá-los. Ao longo de 80 minutos, numa sala imunda e caótica que, como conta o encenador, "funciona como uma metáfora do mundo interior das personagens", Una e Ray confrontam-se um com outro e consigo mesmos. A crueza dos diálogos, muito próximos da forma fragmentária da linguagem oral, associada à extrema contenção do corpo e dos gestos, cria uma intensidade dramática violenta, que as personagens não resolvem mas que deixam ao espectador a tarefa de dar um sentido a tudo aquilo. Tiago Guedes reconhece que há, na peça, "uma violência muito próxima da nossa vida quotidiana mas que também nos mostra que nada é preto no branco e que suscita reflexão e debate".Fonte: DN
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