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domingo, 24 de outubro de 2010

Última série sobre República na RTP1

"Noite Sangrenta" é o último dos projectos de ficção da RTP para assinalar o centenário da implantação da República. Mas é também um episódio quase desconhecido da história portuguesa. E os intervenientes da minissérie - que é emitida ontem e hoje na RTP1, pelas 21h00 - são disso exemplo. "De toda a equipa só uma pessoa, que tinha 80 anos e veio fazer uma figuração especial, é que sabia o que era a "Noite Sangrenta", resume o argumentista Tiago Rodrigues, assumindo que ele próprio desconhecia este acontecimento até começar a investigar. Os actores Isabel Abreu, Gonçalo Waddington e Nuno Lopes, protagonistas da história, também admitem que nunca haviam ouvido falar deste episódio. "Inicialmente achei que era um problema meu, que não tinha estudado bem a história. Depois, percebi que não. Provavelmente, 90% dos portugueses não sabem o que é a "Noite Sangrenta", comenta a actriz, que interpreta Berta da Maia, a personagem central do projecto, a mulher que leva a cabo uma investigação por conta própria para descobrir o mandante do assassínio do marido, Carlos da Maia, e de outros heróis da República na noite de 19 de Outubro de 1921. "É uma mulher à frente do seu tempo. É alguém que vai contra tudo e contra todos, é uma mulher muito à frente", analisa Isabel Abreu, que se surpreendeu quando leu o livro que Berta da Maia escreveu. "Tem ali um tom que se deve à época e à posição da mulher na época", explica, realçando o contraste dessa autocomiseração com a força desta mulher. "Acho que o que ela fez e o que ela era não é aquilo que ela escreve", sublinha. Apesar disso, o livro foi, segundo Tiago Rodrigues, silenciado. "A segunda edição foi tirada de circulação, já o marechal Carmona era presidente da República. Ele que fora o procurador do caso e que parece ter feito uma investigação forte", lembra o argumentista, que também faz uma participação como actor no papel de Fernando da Maia, o cunhado de Berta da Maia, o homem que a acompanha apesar de achar que "nada daquilo vale a pena". Gonçalo Waddington interpreta Abel Olímpio, o marinheiro chefe da milícia que é julgado pelo crime, mas que se recusa sempre a divulgar o nome dos mandantes. As cenas foram gravadas no tribunal militar do Campo de Santa Clara, em Lisboa, local exacto onde ocorreram os acontecimentos há 89 anos. "Encontraram-se fotos e ele era ainda mais magro do que eu", sorri Gonçalo, mostrando o dente de ouro que colocou para compor o personagem. Vestido de marinheiro, Nuno Lopes admite que o figurino o ajuda a situar-se no ambiente dos anos 1920. "É sempre divertido imaginarmo-nos a viver nesta época", admite o actor. "Noite Sangrenta" foi apenas um de quatro projectos de época produzidos praticamente em simultâneo, o que acabou por complicar as coisas. "As armas foram alugadas na Alemanha pelos quatro projectos, mas isso foi um acordo entre as produtoras. Sei que no guarda- -roupa houve alguma competição e que algumas produtoras, quando chegaram a Espanha para alugar a roupa, esta já estava alugada por outras. E que na marcação de filmagens em algumas ruas de Lisboa ou em alguns palácios houve alguma confusão, porque para projectos diferentes e em dias diferentes havia o mesmo espaço, a mesma rua, o mesmo palácio", conta São José Ribeiro, directora adjunta de programas da RTP. "Mas são projectos completamente diferentes. A única coisa que os une é que contam histórias à volta de 1910", acrescenta, referindo-se a "República", "O Segredo de Miguel Zuzarte" e "A Noite do Fim do Mundo", já emitidos. "Foi um grande, grande, grande investimento. É, talvez, e estou há sete anos na RTP, o maior investimento em produção histórica que a RTP fez nos últimos anos", admite a responsável da estação. De valores não fala, mas remata: "São projectos muito caros."
Fonte: DN

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

RTP1 festeja a República

Eis que chegou o dia em que se inicia a materialização no pequeno ecrã de um dos maiores investimentos de sempre do canal do Estado, a propósito do Centenário da República. As hostes foram abertas segunda feira à noite com um projecto ficcional de Jorge Paixão da Costa. Há muito que se prepara esta empreitada televisiva que fala a linguagem do cinema. A RTP1 encomendou a produtoras externas quatro telefilmes, com dois episódios cada, todos com um denominador comum: a República. Afinal, ontem celebrou-se a passagem pelos 100 anos desde a sua implantação. O horário nobre da grelha de segunda esteve consignado ao primeiro capítulo de "República" e o da noite seguinte, ao segundo. Ora, o nome desta minissérie, cuja produção esteve a cabo da Ukbar Filmes, não engana. Centra-se nos dias 3, 4 e 5 de Outubro de 1910, embora a narrativa verse também as semanas anteriores. A ideia da história focada numa protagonista feminina, pertence ao realizador Jorge Paixão da Costa. "República" assemelha-se a uma espécie de crónica dos costumes da época. Luísa, interpretada por Helena Costa, e personagem fruto do imaginário dos autores, vai circulando pelas várias franjas da sociedade, da cultura à política, em virtude das relações sociais privilegiadas que mantém. Contando com um elenco de luxo, do qual fazem parte nomes como os de Joaquim de Almeida, Pedro Lamares, Ana Nave, ou Fernando Luís, a narrativa, de aprimorado rigor histórico, e com um sentido estético próximo da sétima arte - aliás, à semelhança dos outros projectos - conduz-nos numa viagem até ao período em que se enterrou a Monarquia. "O Segredo de Miguel Zuzarte", "A Noite do Fim do Mundo”, e "Noite Sangrenta" constituem as restantes ficções que a RTP1 exibirá, ao longo deste mês, no âmbito das celebrações do Centenário da República. E embora estejamos perante tramas que dialogam entre si, não partilhassem do mesmo mote, as mesmas gozam de autonomia e são dotadas de validade individual. Tratam-se de olhares sobre um mesmo assunto, mas fazendo uso de lupas diferentes, ainda que, de certa forma, complementares. Vejamos, se "República" se reporta sobretudo aos acontecimentos que moldaram a história do país, "O Segredo de Miguel Zuzarte", remonta já a um período discretamente posterior, discorrendo acerca de um Portugal profundo, em que a política é reduzida um papel insignificante. Por sua vez, "A Noite do Fim do Mundo" remete para uns meses antes da Implantação, e tem na passagem do cometa Halley que, na altura, monopolizava a atenção nacional, o seu eixo. Retrata um microcosmos precedente às mudanças de fundo que o país haveria de sofrer. "Noite Sangrenta" traz à liça uma heroína a quem o tempo ditou o anonimato. Viúva de um revolucionário, vingará a sua morte, uma década depois.
Fonte: JN

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Noite Sangrenta" estreou em Festival de Cinema

Apesar do título sugestivo, a minissérie da RTP "Noite Sangrenta", de Tiago Guedes e Frederico Serra, não é uma história de terror sobrenatural. Trata-se da recriação dos acontecimentos da tremenda "noite da morte", ou da "camioneta-fantasma", em Lisboa, a 19 de Outubro de 1921, quando foram assassinados, por uma milícia de civis, marinheiros e guardas republicanos, nomes grados do 5 de Outubro de 1910, como Machado Santos, o "herói da Rotunda", ou Carlos da Maia. Protagonizada por Diogo Infante, Ricardo Aibéo e Isabel Abreu, entre outros, Noite Sangrenta abriu ontem, às 21h45, no São Jorge, em antestreia absoluta, a 4ª edição do MOTELx - Festival de Cinema de Terror de Lisboa, frisando assim a aposta do certame na produção nacional. Uma aposta que também se manifesta no facto de a competição ser dedicada, mais uma vez, exclusivamente às curtas--metragens de terror de produção ou co-produção nacional, com um prémio de dois mil euros, mais cinco mil em serviços de pós-produção. A intenção da organização do MOTELx é "estimular a produção portuguesa de cinema de terror". Outro grande destaque do festival, que encerra a 3 de Outubro, é a presença de George Romero, o autor do clássico "A Noite do Mortos Vivos" (1968), que estará em Lisboa para apresentar o seu novo filme, "Survival of the Dead", (hoje, 21h45), dar uma masterclass (domingo, dia 3, às 16h30, São Jorge) e acompanhar a exibição de uma selecção de fitas suas. Entre os outros convidados internacionais estão ainda o realizador britânico Neil Marshall ("A Descida", "Centurion") e o seu compatriota Alan Jones, autor, crítico e especialista em cinema de terror e membro do júri do Prémio MOTELx 2010. Este ano, haverá também terror à hora do almoço. São sessões especiais de "curtas" às 13h15, com a duração aproximada de 45 minutos. O bilhete custa 1,5€ euros e dá direito a 30% de desconto no almoço no Café Cinema São Jorge. E já amanhã, realiza-se a Noite Jogos de Terror, para adeptos de jogos de vídeo. O MOTELx vai passar, nas suas várias secções, mais de 50 filmes vindos de quatro continentes, com realce para as cinematografias de língua inglesa (o chamado novo terror "realista" britânico estará muito bem representado) e asiática, com o Japão a ter honras de uma secção própria, a Japão Retro. Nesta serão exibidos três títulos emblemáticos do cinema de terror nipónico.
Fonte: DN

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Centenário da República festejado na RTP1

"Resultado de dois anos de trabalho e de um forte investimento", a RTP concluiu um dos projectos mais ambiciosos de sempre: quatro mini-séries, de dois episódios cada, que serão emitidas ao longo do mês de Outubro, no âmbito das comemorações do Centenário da República. "República", "O Segredo de Miguel Zuzarte", "A Noite do Fim do Mundo" e "Noite Sangrenta" mobilizaram dezenas de actores e equipas técnicas e de produção distintas. "Temos quatro produções de grande qualidade para serem exibidas no âmbito das comemorações, mas que também ficarão como registo da nossa memória histórica para o futuro", afirma José Fragoso, director de programas da RTP. Os quatro projectos de ficção histórica foram apresentados à Imprensa no Teatro Camões, em Lisboa, na presença da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que aproveitou para elogiar o papel da estação pública nas comemorações do Centenário da República. "A RTP tem estado à altura das suas responsabilidades enquanto televisão pública e como um dos meios audiovisuais mais importantes", disse a ministra. As quatro mini-séries serão divididas em dois episódios cada e irão para o ar nos serões da RTP nas seguintes datas:
"República": dias 4 e 5 de Outubro
A história parte de uma protagonista feminina Luísa (Helena Costa) que se cruza com os protagonistas da época como D. Manuel II (Sisley Dias), José Relvas (Fernando Luís) ou Machado dos Santos (Ian Velloza). Centra-se nos acontecimentos de 3, 4 e 5 de Outubro de 1910.
"O Segredo de Miguel Zuzarte": dias 9 e 10 de Outubro
Projecto adaptado do romance de Miguel Ventura, relata a história das vivências de uma aldeia alentejana onde o comboio e o telégrafo são as únicas ligações à capital. Monárquico convicto, o telegrafista Miguel Zuzarte (Ivo Canelas) esconde de todos a notícia da implantação da República.
"A Noite do Fim do Mundo": dias 16 e 17 de Outubro
Mostra o retrato da sociedade portuguesa nos meses que antecederam a implantação da República após a passagem do cometa Halley, através do relato de David Pereira (João Tempera), um jornalista do Diário de Notícias.
"Noite Sangrenta": dias 23 e 24 de Outubro
Relata a história dos anos seguintes à implantação da República com foco nos acontecimentos de 19 de Outubro de 1921. Neste dia foram assassinados os principais heróis da República. Os assassinos são presos mas Berta da Maia (Isabel Abreu), viúva do assassinado Carlos da Maia (Ricardo Aibéo), decide investigar o crime por conta própria.
Fonte: Sapo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

RTP mostra séries sobre República

Dois meses depois da primeira apresentação das quatro miniséries comemorativas do centenário da República, a RTP escolheu o palco do Teatro Camões, em Lisboa, para apresentar os primeiros 15minutos de cada das produções. Para José Fragoso, director de Programas da RTP, "trata-se de conteúdos para o futuro, como registo de um momento da nossa História colectiva e, portanto, de património audiovisual". A anteceder o visionamento de cada uma das séries, subiram ao palco alguns dos actores e respectivos realizadores de "República", "O Segredo de Miguel Zuzarte", "A Noite do Fim do Mundo" e "Noite Sangrenta". A cerimónia contou com a presença da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que saudou o projecto e anunciou ainda que já está pronta "a proposta de Lei do Cinema que sofreu uma revisão profunda". Canavilhas revelou ainda que, até ao final deste ano, "irá ser apresentado na Assembleia da República a rede de cinema digital na qual estamos a trabalhar".
Fonte: CM

sábado, 31 de julho de 2010

Ficções para o centenário da república saem caras à RTP

Têm em comum o tema, a linguagem cinematográfica, e vão viver na mesma grelha, mas são narrativas isoladas. As quatro produções encomendadas pela RTP para celebrar os 100 anos da Implantação da República implicaram um esforço financeiro sem precedentes. A refeição ligeira está disposta na mesa. As vestes, loiças e sobretudo a tertúlia que se desencadeia entre os presentes desde logo denuncia que a acção se passa em tempos idos. Estamos em Maio de 1910, mas mais do que por causa de política, a convulsão social desencadeada deve-se à passagem do cometa Halley que, à qual está adstrito o vatícinio de exterminar inexoravelmente o planeta Terra. Trata-se de um breve trecho no contexto das gravações de "A Noite do Fim do Mundo", intriga de dois episódios assegurada pela produtora nortenha Hop para a estação pública. Uma espécie de crónica de costumes dos derradeiros suspiros da monarquia no país, contada pela lente de uma só câmara, como se cinema fosse, que se insere num ambicioso projecto da RTP em virtude do centenário da República. "O Segredo de Miguel Zuzarte", cuja produção está também a cargo da Hop, "República", assinada por Jorge Paixão da Costa, e "Segredo da República", dirigida por Tiago Guedes, completam o leque de ficções comissariadas pela estação pública, naquela que se verifica ser a sua maior injecção de capital nesta área, segundo fez saber Maria de São José Ribeiro, directora-adjunta de Programas. Sem, no entanto, avançar com números, a responsável adiantou que "é possível que o FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual) venha a financiar" uma fatia do investimento assumido já pela RTP perante as produtoras independentes. "Evento televisivo" é como São José classifica o conjunto de conteúdos que "embora tratem o mesmo assunto, o fazem de forma autónoma", assegurou. Não há, a título de exemplo, intercâmbio de actores entre as séries. Se uma remete para tempos que precedem o dia 5 de Outubro de 1910, outra relata a noite em que a coroa portuguesa caiu com o máximo rigor histórico, ainda que centrada numa personagem fictícia que acaba por tipificar as teias da sociedade de então. Temos ainda uma trama que se reporta aos dias imediatamente a seguir à Implantação da República, e por fim outra que viaja até à década de 20. São olhares e estéticas particulares sobre um único assunto, mas às quais não foram colocados tectos ou barreiras conceptuais. A directora-adjunta foi categórica em afirmar que esta aposta terá sempre retorno, até porque comporta "fins didácticos e pedagógicos", enaltecendo ainda o "fantástico elenco". Diogo Infante, Ana Nave, Joaquim de Almeida, Nuno Lopes, Isabel Abreu, ou Ivo Canelas são alguns rostos que a integram. No fundo trata-se, pois, de um legado que ficará para a posterioridade, equacionando-se a hipótese do seu registo complementar em suporte de DVD. Saliente-se que todas estas obras estão a ser filmadas em alta definição. No que toca à estratégia de exibição das minisséries, São José revelou que irão para o ar nos fins de semana de Outubro próximo, em horário nobre. A "República" está consignada a honra de viver na antena no dia do centenário.
Fonte: JN

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Diogo Infante em "Noite Sangrenta" da RTP1

"Interpreto um dos heróis da República, um dos protagonistas da revolução de 1910, que é fuzilado. Ele era um homem duro, um pouco amargurado", conta o actor Diogo Infante sobre o seu papel em "Noite Sangrenta," minissérie de dois episódios que a RTP1 estreia em Outubro. Esta série insere-se num conjunto de obras que o canal público vai exibir no âmbito das celebrações da República. "Esta é a época ideal para viver momentos da História recente de Portugal. Que pode esclarecer alguns pontos dos quais somos ignorantes e prestar homenagens a pessoas que lutaram por ideais e valores que hoje damos por adquiridas na aparente liberdade que vivemos", diz ainda o actor. Para Diogo Infante, apesar da obra se basear em factos reais, trata-se de uma ficção e que faz todo o sentido ser exibida no canal estatal, tendo em conta o serviço público. "Há muitos outros momentos da nossa História dignos de serem tratados pela ficção nacional", sublinha.
Fonte: CM

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Isabel Abreu protagoniza "Noite Sangrenta" da RTP1

Berta da Maia. Raros serão aqueles para quem este nome é familiar, mas foi ela que abriu a caixa de Pandora de um capítulo de suma importância para o país e que o poder político blindou. A série "Noite Sangrenta", para a RTP, baseia-se no seu testemunho literário. Assim que o réu se senta, refutando a acusação, solta-se um grito feminino, de revolta, que promete vingar a morte do marido, assassinado num massacre, na noite que vaticinou o fim da Primeira República. Entrando no Tribunal Militar de Lisboa, ontem à tarde, facilmente se embarcava numa viagem no tempo até à década de 20 do século passado. Alguns figurantes, fatigados pelo calor, a dormir, em recantos, deixavam transparecer tratarem-se de gravações de uma ficção de época, por sinal, inserida num projecto da RTP em virtude das comemorações do centenário da República. Mas "Noite Sangrenta" escapa ao mais óbvio. Não versa a implantação, antes o óbito de um ideal político, aqui personificado pela mulher de um dos heróis do 5 de Outubro de 1910. Isabel Abreu veste Berta da Maia, figura à frente do seu tempo, à qual não tivera ainda sido feita justiça. "À semelhança de 90% dos portugueses, não tinha ideia deste acontecimento", referiu a actriz. "Os meandros políticos daquele tempo são aqui retratados", e o mais curioso é que se podem estabelecer "paralelismos com o que sucede agora", prosseguiu. Uma investigação por conta própria que, mais tarde veio a deixar escrita em livro: A grande fonte de inspiração para a narrativa. "Tentei criar a minha própria Berta. O livro transmitia auto-comiseração, fado", por força, talvez, dos recursos estilísticos da época, que "não eram interessantes para a personagem", sublinhou. O guião de "Noite Sangrenta" pertence a Tiago Rodrigues. "Golpe moral" e "perda da inocência e da pureza ideológica", foram os termos por si usados para descrever este momento histórico que acabou por estender a passadeira para a ditadura do Estado Novo. A série, gizada por Fernando Vendrell, tem a realização a cargo de Tiago Guedes e de Frederico Serra. Nuno Lopes e Gonçalo Waddington integram o elenco.
Fonte: JN

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Série da RTP1 já em gravações

"Encontrar locais em Lisboa que se assemelhem ao cenário da cidade de há cem anos tem sido o maior desafio", revela Frederico Serra, co-realizador, com Tiago Guedes, de "Noite Sangrenta", que deverá estrear na RTP1 em Outubro. A série de ficção histórica, que teve o título provisório, ganhou o nome com que ficou conhecida a revolta radical que ocorreu em Lisboa a 19 de Outubro de 1921. Após três semanas de gravações, a encenação de uma das mais intensas execuções que sucederam naquela época: Carlos da Maia (Ricardo Aibeo) e Machado dos Santos (Diogo Infante). "A história centra-se em Berta da Maia, viúva de Carlos da Maia, um dos heróis revolucionários do 5 de Outubro, que foi morto sem que nunca se conhecesse quem foram os verdadeiros mandantes deste crime. Baseámo-nos no seu livro e em outros documentos", explica Frederico Serra. Entusiasmado com este projecto, o realizador destaca a complexidade emocional de duas personagens: Berta (Isabel Abreu) e Abel Olímpio (Gonçalo Waddington). "Sou o cabo Abel, o marinheiro que ficou conhecido como o Dente d'ouro, aquele que dá a ordem para abater o almirante Machado dos Santos (Diogo Infante)", conta o actor Gonçalo Waddington. E continua: "ele está convencido de que será um herói, é uma pessoa de má índole, mas depois quando é preso e se vê abandonado pela instituição militar é que percebe a dimensão dos seus crimes". Abel Olímpio tem a seu lado uma personagem também ela peculiar, Rogério, que é quem conduz a carrinha do assassino. "Sem desvendar muito, posso dizer que ele vai questionar bastante a legitimidade das mortes", conta o actor Francisco Nascimento. Diogo Infante protagoniza o almirante Machado dos Santos.
Fonte: CM