"Vagina. Digo vagina porque aquilo que não dizemos, nem reconhecemos torna-se segredo e este cria vergonhas, mitos e medos". A actriz São José Correia diz vagina porque é o tema central dos monólogos que deixaram de ser exclusivos de uma só actriz. Três cadeiras e três microfones recebem Ana Brito e Cunha, Guida Maria e São José Correia num palco iluminado por três focos de luzes vermelhas para falar de ... vaginas! À procura de medos, fantasias, dramas e insatisfações femininas nasceram os "Monólogos da Vagina", resultado de 200 entrevistas realizadas por Eve Ensler a mulheres de todo o mundo. Mulheres novas, velhas, pretas, brancas, caucasianas... Todas elas tinham relutância em falar mas quando falavam ninguém as conseguia calar. Ana Brito e Cunha assume, em palco, o papel dessa jornalista que conseguiu convencer dezenas de mulheres a falar das suas vaginas. Vagina ou outro sinónimo qualquer. Passarinha, crica, racha, patareca, pita, cenaita e bacalhau são alguns dos termos que arrancam o riso à plateia para definir, afinal, aquilo de que se fala. A linguagem é explicita, sem ser ordinária, porque a mensagem é forte. Alguns dos monólogos são entrevistas textuais. Outros o cruzamento de várias entrevistas e outros, ainda, o resultado da imaginação da autora. Todos somados falam do prazer, das infelidades conjugais, da menstruação, de violações, de partos e até de terapias de grupo. Um dos monólogos é inspirado num dos wokshops organizado por Betty Dotson, uma mulher que anda, há 25 anos, a ajudar as mulheres a localizar e a amar as suas vaginas. Guida Maria protagoniza um dos monólgos mais intensos da peça. A história dramática de uma mulher feita prisioneira num campo de concentração na Bósnia. Em 1994 e em plena Europa foram violadas milhares de mulheres em nome de uma estratégia sistemática de guerra. A actriz declama um poema que conta essa história trágica. O momento intenso termina com a projecção das fotos de algumas dessas mulheres. Tampões, bicos de patos, cuecas de fio dental são rejeitados veementemente. São José Correia consegue arrancar mais risos ao gritar contra estes atentados à vagina. Guida Maria interpretou a peça em 2000 sozinha em palco. A peça sobe ao palco, esta terça-feira, no Auditório dos Oceanos no Casino Lisboa. terça-feira, 26 de maio de 2009
"Monólogos da Vagina" regressam ao palco, em Lisboa
"Vagina. Digo vagina porque aquilo que não dizemos, nem reconhecemos torna-se segredo e este cria vergonhas, mitos e medos". A actriz São José Correia diz vagina porque é o tema central dos monólogos que deixaram de ser exclusivos de uma só actriz. Três cadeiras e três microfones recebem Ana Brito e Cunha, Guida Maria e São José Correia num palco iluminado por três focos de luzes vermelhas para falar de ... vaginas! À procura de medos, fantasias, dramas e insatisfações femininas nasceram os "Monólogos da Vagina", resultado de 200 entrevistas realizadas por Eve Ensler a mulheres de todo o mundo. Mulheres novas, velhas, pretas, brancas, caucasianas... Todas elas tinham relutância em falar mas quando falavam ninguém as conseguia calar. Ana Brito e Cunha assume, em palco, o papel dessa jornalista que conseguiu convencer dezenas de mulheres a falar das suas vaginas. Vagina ou outro sinónimo qualquer. Passarinha, crica, racha, patareca, pita, cenaita e bacalhau são alguns dos termos que arrancam o riso à plateia para definir, afinal, aquilo de que se fala. A linguagem é explicita, sem ser ordinária, porque a mensagem é forte. Alguns dos monólogos são entrevistas textuais. Outros o cruzamento de várias entrevistas e outros, ainda, o resultado da imaginação da autora. Todos somados falam do prazer, das infelidades conjugais, da menstruação, de violações, de partos e até de terapias de grupo. Um dos monólogos é inspirado num dos wokshops organizado por Betty Dotson, uma mulher que anda, há 25 anos, a ajudar as mulheres a localizar e a amar as suas vaginas. Guida Maria protagoniza um dos monólgos mais intensos da peça. A história dramática de uma mulher feita prisioneira num campo de concentração na Bósnia. Em 1994 e em plena Europa foram violadas milhares de mulheres em nome de uma estratégia sistemática de guerra. A actriz declama um poema que conta essa história trágica. O momento intenso termina com a projecção das fotos de algumas dessas mulheres. Tampões, bicos de patos, cuecas de fio dental são rejeitados veementemente. São José Correia consegue arrancar mais risos ao gritar contra estes atentados à vagina. Guida Maria interpretou a peça em 2000 sozinha em palco. A peça sobe ao palco, esta terça-feira, no Auditório dos Oceanos no Casino Lisboa.
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