A polémica à volta dos programas de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Vitorino levanta algumas questões sobre os espaços de comentário político na estação pública. Investigadores dos média dizem que devia abrir-se o leque a outras figuras e temáticas. A falta de alternativa para ocupar o lugar de António Vitorino foi um dos argumentos apontados para a que a RTP ponderasse o fim de "As Escolhas de Marcelo", programa que está há cinco anos no ar, tal como o de Vitorino. E na opinião da investigadora Felisbela Lopes isso acontece porque nos "últimos anos, (a televisão) não tem produzido novos protagonistas a nível do comentário político, com a mesma expressividade com que o fez nos anos noventa". Mesmo que a estação viesse a arranjar uma alternativa - recorde-se que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a propor nomes como os de Mário Soares e de Almeida Santos para ocuparem o lugar de Vitorino -, essa solução seria "pontual", sem que seja resolvida "a questão de fundo". "Não é uma dificuldade da RTP, é do espaço público. Significa um grande empobrecimento do espaço mediático", sublinha. E se por um lado os partidos apenas conseguem produzir protagonistas em dois níveis - da direcção do partido e da do grupo parlamentar - as estações não investem em novos comentadores devido à "ditadura das audiências". No seu entender, o problema do pluralismo na estação pública só será resolvido quando houver espaço para representantes de áreas como a Sociologia, a Ciência Política ou Antropologia. "Pluralismo cultural, geográfico e conceptual do pensamento, das ideias e do saber".Fonte: JN
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