sábado, 30 de janeiro de 2010

Teatro luso conquista Madrid pela mão de Celso Cleto

Celso Cleto não se contenta com o êxito nacional das peças que encena. Espanha, Noruega, França e Inglaterra são os próximos destinos das produções do encenador. Aliás, a capital espanhola é receptora regular das propostas do português. E aplaude-as. À primeira vista, poderia parecer arriscado apresentar num teatro espanhol uma peça de teatro com quase três horas de duração, falada em Português e legendada em Castelhano. No entanto, nas quatro noites em que "Hedda Gabler" - de Henrik Ibsen-, espectáculo encenado por Celso Cleto e protagonizado por Sofia Alves, esteve em cena no Teatro de Bellas Artes, em pleno centro de Madrid, contou sempre com uma sala bem composta. "O público espanhol, os produtores e a comunidade portuguesa estão muito disponíveis para este tipo de iniciativas", garante o encenador, que, de resto, conta com um percurso profissional que inclui a direcção de várias peças no país vizinho, com destaque para a bem sucedida "La Curva de la Felicidad". A iniciativa de exportação é invulgar, mas não inédita. Já em Janeiro do ano passado, o protocolo de intercâmbio cultural entre o Centro de Artes Dramáticas de Oeiras (Dramax) e o Teatro de Bellas Artes tinha trazido à capital espanhola a peça "Boa Noite, Mãe". A boa recepção levou a companhia a repetir a aposta neste ano, desta vez, com "Hedda Gabler", peça que seguirá para a Noruega em Setembro, para marcar presença no Festival Internacional dedicado a Henrik Ibsen. No próximo ano, está já previsto que a companhia oeirense apresente "Sabina Freire" em Madrid, espectáculo integrado nas comemorações do centenário da República Portuguesa. Conhecedor da extensa actividade teatral que se vai desenvolvendo na capital espanhola, Celso Cleto não se abstém de apontar a escassa presença da língua portuguesa em terra de Cervantes. Ainda assim, acredita que com esta iniciativa e com outras que está a preparar, pode "abrir caminho para que no futuro seja mais fácil a outras gerações de artistas portugueses" trazer espectáculos ao país vizinho. O encenador entende que neste aspecto "há uma grande frustração dos portugueses que vivem em Madrid", relembrando que, "em 1977, foi feita uma portaria para ser criado um pólo do Instituo Camões em Madrid, o que até agora ainda não aconteceu". Quanto à Embaixada Portuguesa em Madrid, o encenador lamenta que esta "não tenha dinheiro para desenvolver grande tipo de acções culturais", uma vez que está "tecnicamente falida". Em suma, Celso Cleto conclui que, face à falta de acompanhamento para este tipo de projectos pelos sucessivos governos, "não há qualquer aposta na internacionalização da cultura portuguesa." A nível institucional, o único apoio com o qual o director do Dramax conta nas suas produções e digressões é o da própria Câmara Municipal de Oeiras.
Fonte: JN

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