domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Depois da Vida": falar com os mortos na TVI

Moita Flores teve muitas reservas, mas acabou por aceitar o convite de Júlia Pinheiro. O presidente da Câmara de Santarém participou numa das sessões em que é suposto entrar em contacto com familiares mortos e o saldo da experiência foi avassalador. "Fiquei muito surpreendido", conta Moita Flores, empregando um ritmo pausado, próprio de quem está a pensar no que diz. "A médium falou-me de coisas íntimas, que só eu, a minha irmã e a minha mãe, já falecida, conhecíamos". Exemplos concretos: "Falou-me de uma fotografia escondida da minha mãe, e de banalidades do nosso quotidiano". O que se passou em estúdio poderá ser visto no programa "Depois da Vida", em Março, na TVI. Antes da experiência, já se considerava um céptico em relação aos contactos com o além? "Não sei bem", responde Moita Flores. "Fi-lo por confiar na Júlia Pinheiro, sabia que não me deixaria ficar em situação embaraçosa". Deixa o recado de que estamos diante de um "conteúdo muito forte. Vai mexer muito com as pessoas". A médium inglesa Anne Germain - "reconhecida no meio", como diz a apresentadora Luísa Castel Branco, que já participou numa sessão com ela extra programa e que conta que esta vem com frequência a Portugal - não se pronuncia com voz de outrem, nada disso, explica Moita Flores. Vai contanto histórias dos falecidos, "de uma forma elegante". Do lado dos absolutamente cépticos em relação ao que chama de crendices está Carlos Fiolhais. O físico e professor da Universidade de Coimbra não só critica como desmonta qualquer pressuposto que possa estar adjacente a esta prática. "Trata-se de uma perfeita idiotice". Vai dizendo:"No século XIX é que se faziam essas sessões, hoje são coisas desacreditadas, sem fundamento; são experiências que se não existissem não havia mal nenhum". Se é entretenimento ao que se propõe a televisão, atira: "Ver o "Ídolos" é uma melhor diversão, por exemplo". E o pior, afirma convicto, é que este tipo de programa é "profundamente prejudicial para as pessoas mais frágeis". Depois, "é evidente que descredibiliza a estação e as pessoas que o fazem". O sociólogo Jean Martin Rabot, professor na Universidade do Minho recusa-se a avaliar a veracidade de tais experiências, optando por as analisar enquanto sintomas da vida em sociedade. A seu ver, "assistimos a uma contestação ao predomínio do racional". E "o retorno ao religioso e ao espiritual faz-se das mais diversas formas hoje em dia, quer seja através de técnicas de relaxamento, como o Yoga, ou de novas religiões". A apresentadora Teresa Guilherme, crente nesta comunicação com o além, evoca as séries para referir as múltiplas utilidades das médium. Carlos Fiolhais também se referiu aos produtos relevisivos, mas para alertar, de viva voz, para a separação de domínios: "Na ficção, tudo é permitido", diz. Refira-se que este programa chega a Portugal pela mão de Mónica Carrelhas, astróloga e produtora, como se apresenta no site de Planeta Ideal, empresa que criou para levar adiante este projecto. Júlia Pinheiro diz que o objectivo de "Depois da Vida" é "pôr as pessoas a pensar". É ela a apresentadora. Luís Cunha Velho, director de Programas da TVI, garante: "Não há truques".
Fonte: JN

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