O actor Júlio Cardoso, que comemorou, no ano passado 50 anos de carreira, foi, ontem, condecorado com a medalha de mérito distrital, no Governo Civil do Porto, com o galardão a ser entregue pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas. O juiz conselheiro Octávio Ferreira foi o primeiro a discursar e relembrou o "forte passado de intervenção cívica" do actor. Fez uma breve retrospectiva da sua carreira, relembrou o seu começo no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, mencionou o papel importante que Júlio Cardoso teve quando o Coliseu correu o risco de ser comprado por um grupo religioso e acabou a intervenção relembrando que a carreira do actor traduz-se em "50 anos de entrega total ao teatro. "Sinto-me como uma particulazinha pequenina neste vasto universo de pessoas que fazem da cultura e criatividade o seu principal nutriente". Foi assim que Júlio Cardoso iniciou o seu discurso. "Por que é que o Porto tem de conjugar os verbos no passado?", perguntou. "Jamais devemos esquecer a história, contudo, deve servir para seguirmos em frente". O actor demonstrou o seu desalento pelo facto de a cidade não saber aproveitar ao máximo a riqueza cultural que tem. Chegou mesmo a acrescentar que "poucas cidades da Europa têm esta riqueza cultural". Relembrou, ainda, a discussão sobre a legislação das televisões portuguesas e referiu o facto de Portugal ser o único país com todas as cadeias de televisão sediadas em Lisboa. "O que fizeram à NTV?", perguntou. Relembrou também o actual estado decadente da Orquestra Sinfónica do Porto, entre muitos outros problemas. Porém, o actor relembrou que a cidade "tem um acervo único, singular e raro". A cerimónia terminou com o discurso da ministra, que relembrou "a fonte de inspiração que Júlio Cardoso representa".Fonte: JN
Sem comentários:
Enviar um comentário