Estreia-se hoje (20h00) opereta "O Morcego", de Johann Strauss, o rei das valsas, com Maria Rueff no elenco. Fica até 7 de Março Com Maria Rueff no papel falado de Frosch, o carcereiro bêbedo, sobe hoje à cena a que é, para muitos, a rainha das operetas, aquela onde tudo saiu perfeito. Após a titubeante estreia em Viena (1874), "O Morcego" [no original: "Die Fledermaus"]cedo se fez um enorme sucesso e o maior êxito teatral de Johann Strauss, autor da "Valsa do Danúbio Azul". Na produção que hoje se estreia em São Carlos (direcção musical de Julia Jones), a encenação é de Katharina Thalbach (n. 1954), consagrada actriz e encenadora alemã (filha de Benno Besson). Segundo Thalbach, "tudo aqui tem a ver com graça, com folgança". "O Morcego" fala de "uma sociedade hedonista, com a corda toda centrada no divertimento - a burguesia dançando sobre o vulcão", resume. Daí que não lhe interessassem "camadas mais profundas de sentido", optando antes por "um caminho pessoal", decerto "fiel ao conteúdo", mas no qual tomou para si "alguns prazeres", como lhes chama: "a acção não se passa em Viena, o casal Eisenstein tem gostos mórbidos, o baile é lúgubre e sinistro e Falke [o "morcego" do título] é um vampiro desde a partida que Eisenstein lhe pregou...". Enfim, "uma fantasia arrepiante" que assume "gosto pelo riso", manifestação em que coincide com Umberto Eco ao dizê-la "uma outra forma de catarse". Outro aspecto da "brincadeira" foi "haver partes em português", pois, considera, "parte da vida desta obra depende de haver interacção com o público". De resto, não o fazer seria "descortês". Esse gosto de aproximação ao público, reconhece, "vem da tradição teatral da ex-RDA, na qual havia sempre grande intercâmbio" entre palco e plateia. Resume: "era um teatro popular no bom sentido, muito inteligente... como Shakespeare!" "O Morcego" voa oito vezes até 7 de Março, sempre às 20h00, excepto dias 28 e 6 (matinés).Fonte: DN
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