A RTP quer chamar Herman José para que o humorista volte a ocupar o lugar que já lhe pertenceu num talk show de sábado à noite. E Bruno Nogueira pode ocupar as noites de domingo no mesmo formato. Mas o modelo de talk show nocturno perde lugar de honra nas televisões do mundo à medida que os espectadores abandonam o sofá e não querem esperar pelo late prime time para verem o apresentador preferido ou desfrutar dos melhores momentos do programa – que na manhã seguinte estarão no YouTube. Que futuro, então, para este modelo? A pergunta foi lançada pelo crítico de media do diário norte americano "The New York Times" David Carr nos conturbados dias que testemunharam o afastamento de Conan O'Brien do "Tonight Show" da NBC. Estará o género talk show a morrer? A resposta de Carr era: "Sim, está". "Mas o problema não é o Conan ou o Jay. Somos nós", acrescentava o crítico, que continua a seguir religiosamente o "Tonight Show", gosto que partilha com a filha adolescente, com quem trocava algumas ideias. Mas cada um no seu computador, na mesa da cozinha, à hora mais conveniente para os dois. A saída milionária de Conan O'Brien ocupou as páginas de jornais. Mas as audiências de um dos talk show mais copiados do mundo não são as mesmas de outros tempos. Jay Leno já conseguiu 17 milhões de espectadores. O'Brien, quando ocupou a cadeira do "Tonight Show" em Junho de 2009, chegou aos nove milhões. Mas o "Tonight Show", agora com Leno só chega aos seis milhões. Hélder Bastos, investigador da Universidade do Porto, fundador do Observatório de Ciberjornalismo, assegura que a TV que conhecemos está a ser desafiada pelos novos modelos de vivência e de consumo multimédia. "Há muita gente que vê o "Daily Show" de Jon Stewart, não na íntegra, mas apenas partes na Web, ou quem tenha deixado de ver jogos de futebol para se concentrar nos golos no YouTube", diz o investigador. "O consumo de programas de TV desconstruídos e fragmentados começa a preocupar quem tem funções de programação nas estações de televisão. A TV à moda antiga, feita para couch potatoes passivos deixa de ter sentido". Herman José, que estará de regresso à RTP dentro de um mês, programa com a assinatura Produções Fictícias, volta ao formato preferido na TV. E não concorda que os talk show estejam esgotados: "Pessoalmente, acho talk show de horário nobre "Parabéns" ou o "Herman" ainda têm lugar. O mercado é capaz de não ser da minha opinião. Mas a moda é por ciclos. Depois de um excesso de fast food, é bem possível que o bom velho bife do lombo volte a estar em alta". O entertainer, que em 2009 rompeu com a SIC, passou pela TVI e se dedicou nos últimos tempos aos espectáculos ao vivo, acrescenta: "O 5 Para a Meia Noite", à sua maneira, veio provar que tenho razão". Mas não nega que o tempo que dedica ao programa nem sempre passa pela TV: "Dou por mim, ao fim de um dia, no computador, a ter mais vontade de ouvir uma conversa do que de ver uma série". Quanto a Bruno Nogueira, para quem o projecto "Os Contemporâneos" foi criado em 2008 a pedido do director de programas da RTP, José Fragoso, terá também um talk show nas noites de fim de semana do canal público.Fonte: Público
1 comentário:
Adoro o Herman e estou imensamente contente que ele volte à televisão. É uma jogada inteligente e que fomenta a inteligencia nos espectadores, porque realmente este ainda é dos unicos que nos faz aprender alguma coisa ( e sempre com humor)
Parabens senhor Fragoso, depois de algums desilusões consigo, finalmente apostou numa coisa que eu apoio com toda a minha força!
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