A estação pública guarda dois trunfos para Abril. Chamam-se Herman José e Bruno Nogueira. Prepara para cada um deles talk shows à sua medida: um ao sábado e outro ao domingo. Para Bruno Nogueira, chegou o momento de reinar sozinho em antena. O contrato com Herman José e as Produções Fictícias, parceira neste regresso à televisão do pai de Serafim Saudade, está prestes a ser fechado. De qualquer modo, desengane-se quem espera um formato à "Herman SIC". Não será um modelo tão megalómano em termos de produção. Bruno Nogueira, de 28 anos, o autor da famosa rábula sobre o senhor do bolo (referência a Francisco Balsemão), que fez com que a plateia se desmanchasse a rir no Coliseu do Recreios, no 11º aniversário da SIC, faz dupla criativa, ao nível dos textos, com João Quadros, seu cúmplice há anos. O guião de "Tubo de Ensaio" (TSF), a que dá voz, é assinado por este último. A produção do talk show cabe à Até ao fim do Mundo. O rapaz introvertido da primeira emissão no "Curto Circuito" (CC), em 2003, conseguiu vingar como actor - trabalhou recentemente com a Cornucópia - e prepara-se agora para estar à frente de um talk show. "Era introvertido, e não tinha ritmo", começou por ouvir, a respeito das participações iniciais de Bruno Nogueira no "CC", Pedro Paiva, responsável pela produtora. Em pouco mais de um mês, a opinião da equipa de produção mudava radicalmente. Pedro Paiva convidou-o por ter reparado em Bruno Nogueira na peça "A Lata". Notou-lhe logo "uma força tremenda em palco. Fiquei impressionado, tinha uma presença que não deixava ninguém indiferente". A ida como convidado ao "Cabaret da Coxa" confirmou a suspeita. E outro acaso acabou por os unir: Bruno fazia a campanha da Oni, patrocinadora do "CC". Pedro Paiva destaca de Bruno Nogueira a "forte personalidade, a convicção empregue no que diz, não tem receios, e depois a inteligência e a extrema sensibilidade". Faz notar que o humorista se foi fazendo como profissional: "Estuda muito, consome produtos televisivos inacessíveis nos canais nacionais, está muito atento ao que se faz nos Estados Unidos". Dos episódios célebres passados no "CC", lembra um em que Bruno Nogueira e Fernando Alvim simularam, fugindo ao alinhamento, a existência de um despedimento de toda a equipa. O radialista Diogo Beja, agora na Antena 3, diz que trabalhar com ele foi divertido e perigoso. Chegou a ficar com o sobrolho aberto, em directo, por causa de uma brincadeira, conta, rindo. O risco devia-se igualmente à capacidade criativa do Bruno. "Não era fácil de acompanhar", conclui. Classifica o seu humor como "corrosivo a roçar a brutidão, perto da fronteira do choque, como foi o caso das piadas à irmã Lúcia". Enquanto cómico, tem o dom de "conseguir tornar a história mais elementar numa piada incrível". Nilton e Oscar Branco, que contracenam neste momento com Bruno Nogueira no "Clube da Comédia", também se excedem em elogios. Oscar Branco enaltece-lhe o talento e o olhar atento sobre a actualidade. "Está muito informado, sabe ser interveniente, aventura-se". Diz que ficou surpreendido por ele ter aceite integrar a digressão do "Clube de Comédia", nesta fase da sua carreira. Nilton, apresentador de "5 Para Meia Noite" (RTP2), vê-lhe uma "graça natural, atrevimento, trejeitos muito próprios, e uma grande maleabilidade". E depois, é "um bom companheiro, apaziguador, responsável, e amigo da galhofeira. Um grande entertainer". Do currículo televisivo mais recente, Bruno Nogueira liderou a equipa humorística de "Os Contemporâneos". Longínqua parece estar a sua participação em "Anjo Selvagem" (TVI).Fonte: JN
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