segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Florbela Queiróz de volta ao palco

Afastada do teatro há 11 anos, porque, como diz, "aconteceu assim", Florbela Queiroz está a preparar o regresso ao palco e à revista. "Vai de email a pior" estreia em finais de Setembro, em Lisboa, com um elenco composto, essencialmente, por gente jovem. Em Portugal, o teatro de revista tem três sinónimos: Parque Mayer, Teatro Maria Vitória, Helder Freire Costa. Em Lisboa, pois, espera-se agora a junção de um quarto elemento a essa meca que teima em continuar de pé. Depois de 11 anos fora dos palcos e de 20 sem fazer revista, Florbela Queiroz volta a um dos géneros em que se sente mais à vontade. Este longo intervalo, durante o qual se dedicou a outras artes e fez rábulas num canal televisivo, começou logo a seguir a "Amor à Luz da Vela", uma alta comédia levada à cena no Teatro da Trindade. Mas a revista já tinha ficado mais para trás, em 1990, quando, pela mão de Helder Freire Costa, tal como agora, Florbela foi cabeça de cartaz em "A Grande Festa". O produtor lembra-se bem da estreia: "Foi dias antes de rebentar a guerra no Kuwait. A guerra em directo, a corrida às parabólicas... Ninguém saía de casa e o grande teatro era o teatro de guerra". Apesar de ter marcado o avanço da revista, o espectáculo "A Grande Festa" não resultou, à semelhança do que então sucedia pela Europa fora, onde algumas salas chegaram a fechar portas. "Pensámos que o problema era por estar no Teatro Variedades e sacrifiquei a montagem toda para o transportar para o Maria Vitória, mas também não resultou. As pessoas não saíam de casa 2, recorda Helder Freire Costa, aludindo àquela que foi a última revista em que Florbela Queiroz entrou. O contacto nunca se perdeu, até que Helder Freire Costa dirigiu o convite à actriz, agora com 67 anos. "Ela via as minhas peças e eu sentia nela saudade do teatro", conta, para acrescentar: "Depois, o Teatro Maria Vitória é muito popular e, um dia, ao descer as escadas no fim de um espectáculo, as pessoas abordaram-me e perguntaram quando é que eu convidava a Florbela. Assim que foi oportuno, convidei-a e tive a sorte de ela largar várias coisas". Sorte, mas não só. "Tenho muita vontade de ir fazer este espectáculo", afirma a actriz, chamando a atenção para a "gente muito nova" e para os "números muito frescos", cujos textos são assinados por Francisco Nicholson e Mário Rainho. Apesar da experiência, Florbela Queiroz não esconde algumas reservas quanto ao regresso. "Vamos lá a ver se ainda sou capaz. Costuma dizer-se que quem é rainha nunca perde a majestade, mas não é esse o caso", justifica, acrescentando que muita coisa mudou. "A minha cabeça também mudou e tudo isto, para mim, é um desafio. Mas eu sou mulher de desafios", remata. O produtor espera um desempenho à altura. "Conheço a Florbela. Ela não está a dar tudo. Aquela escola de actores guardava-se para a estreia, era sempre uma surpresa", refere, confiante de que, chegando o dia, a artista vai "surpreender tudo e todos". O responsável pelo Maria Vitória realça ainda o facto de o elenco ser muito fresco. Inclui nomes como Vanessa, Joana Alvarenga, Paulo Vasco, Cristina Aurélio e David Ventura, entre outros. Também o irmão de Florbela, Carlos Queiroz, que Helder Freire Costa considera "um rato de teatro", fazendo-o transitar, tal como outros, da revista anterior, "Agarra Que é Honesto". Sobre o novo espectáculo, o produtor apenas revela que é semelhante aos outros: "A revista é sempre contra quem está no poder, é um espectáculo de crítica social e política". Com fado, fantasia e alusões à situação do Parque Mayer, que já conheceu quatro teatros e apenas tem um a funcionar.
Fonte: JN

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