domingo, 28 de fevereiro de 2010

As derradeiras escolhas de Marcelo hoje na RTP1

Madalena Oliveira, do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, lançava a pergunta no blogue Jornalismo e Comunicação em 2008: "Marcelo Rebelo de Sousa é sempre notícia?" A rotina é a seguinte, como descrevia a investigadora: o que diz ao domingo é notícia na segunda feira. E um jornalista interrogava-se, num comentário: "Por que é que não se preocupam assim com Vitorino, Sousa Tavares ou Peres Metello?" O que faz com que assim seja, desde que, em 1993, Marcelo iniciou o comentário político com O Exame, na TSF, atribuindo notas de 1 a 20 aos políticos e personalidades da vida política portuguesa? "Marcelo representa não só uma figura que encarna o papel do comentador com capacidades acrescidas face a outros, como a sua própria personalidade reúne mais valias que acabam por fazer com que consiga uma leitura mais cabal para as pessoas comuns. É como um membro da família. Entra nas nossas casas com muito à vontade e traduz o fenómeno político", diz Nilza de Sena, politóloga do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Apesar de "As Escolhas de Marcelo" e o programa "Notas Soltas" de António Vitorino (que também termina amanhã) estarem sempre entre os dez programas mais vistos do dia, um estudo do Obercom, feito pela investigadora Rita Cheta em 2007, revela que, em termos de popularidade, Marcelo se destaca, com mais de 40 por cento de preferências, enquanto Vitorino não chega aos oito por cento. Para Nilza de Sena, é com a entrada na TVI, em 2000, que a força se revela: "O eixo gravitacional da vida pública constrói-se a partir da TV. Apesar de começar na rádio, ele tem sucesso é na TV e torna-se um fenómeno mediático muito apetecível", diz, sugerindo que Marcelo "estima o palco televisivo". Em 2004, questionado sobre se a saída da TVI seria intencional e predizia uma candidatura às presidenciais, afirmou: "É uma interpretação ridícula de alguns aprendizes de comentadores. Seria uma estupidez, a mais de um ano das presidenciais, perder aquela tribuna." Manuel Meirinho, politólogo, entende que é na característica de saber ultrapassar a esfera da simples análise com parcimónia que está o segredo da sua longevidade: "Um comentador, para sobreviver este tempo todo, tem de ser mais do que imparcial, tem de gerar influência. Marcelo é um caso em que se ultrapassa o mero comentário de neutralidade, ele tem interesse no objecto analisado. Mas é um caso único chegar onde ele chegou." Maria Flor Pedroso, a jornalista que acompanhou Marcelo desde Abril de 2006, descreve-o como "um interlocutor difícil": "É difícil de lhe canalizar o pensamento. Não vai ao encontro daquilo que queremos. Penso que consegui isso poucas vezes. Mas os bons interlocutores políticos são assim, fazem o contrário do que queremos", confessa.
Fonte: Público

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