Depois do êxito da sua interpretação no musical "West Side Story", que lhe valeu prémios e nomeações importantes, Sofia Escobar está de novo no meio em busca de um novo papel nos palcos do West End londrino. Tem a beleza doce e serena das princesas dos contos de fadas, um sorriso encantador e uma chávena de café na mão, que não há-de terminar porque tem muitas coisas para contar: experiências, projectos, sonhos perdidos e sonhos realizados. Usa uns sapatos vermelhos como Dorothy do "Feiticeiro de Oz", mas, ao contrário desta, não sai do caminho definido, não procura o fim do arco-íris, porque, aos 25 anos, já percebeu que "é no caminhar que está a grande beleza das coisas". É Sofia Escobar, uma princesa moderna, cuja vida é "feita de muito trabalho, sacrifícios pessoais e familiares e sem cunhas", frisa, na entrevista que deu na sua passagem por Lisboa. A sua história não é um conto de fadas, mas quem sabe um dia dê um musical no West End londrino, como os que protagonizou. Depois de uma digressão com a peça "West Side Story", a actriz está em Portugal, para onde sonha voltar "um dia". Por agora quer apenas concretizar o projecto de trazer uma peça para integrar o programa da Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 e realizar um recital de canto em registo intimista, "uma coisa especial". Sem a ajuda de fadas para lhe realizar os sonhos, partiu há cinco anos de casa para estudar em Londres, "porque lhe pareceu a melhor opção", e não se perdeu, muito pelo contrário, "quando cheguei à Guildhall [escola de música e teatro londrina], senti que estava no meu mundo". A disciplina férrea da escola britânica deu-lhe "uma aprendizagem de vida enorme, porque o trabalho artístico precisa dessa disciplina, desse rigor", diz. Entre o trabalho no restaurante e as aulas na escola, viu um anúncio no jornal para o papel de Christine, no musical "Fantasma da Ópera". Foi lá, inscreveu-se, fez "oito longos meses de provas", sendo que, na última, as coisas lhe correram "francamente mal". Apesar disso, foi a escolhida para substituir a actriz principal. E o que se sente nesse momento? Os olhos de Sofia ainda se emocionam quando lembra: "Sensação de triunfo por mim, pela minha família, por ter conseguido cumprir o que esperava de mim." Depois veio o papel principal como Maria em "West Side Story", com o qual recebeu o galardão de Melhor Actriz de Teatro Musical, atribuído pelo portal Whatsonstage, e foi nomeada, na mesma categoria, para os prémios Laurence Olivier. "Ainda me pergunto se isto é verdade e o que fazer com isto mas mãos", confessa. Com tudo isto, deixou curso a meio, que a Guildhall lhe ofereceu depois "por mérito artístico, por ter recebido um prémio e ter sido nomeada para outro". Agora, Sofia está de novo à procura de trabalho. Admite que, apesar do sucesso, ainda está restringida às personagens latinas, às mulheres boazinhas. Quando sonha, é com Blanche Dubois, de "Um Eléctrico Chamado Desejo", de Tennessee Williams. "A fama só por si não lhe interessa, porque procura coisas com mais verdade, coisas que me toquem", remata.Fonte: DN
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