Dez colectivos da sociedade civil questionaram a TVI hoje, quinta feira, pelo corte de cenas de afecto entre um casal de namorados homossexuais, nos episódios de Verão da série "Morangos com Açúcar". Numa carta aberta remetida à administração da Media Capital e às direcções da TVI e da Plural Portugal, associações como a Ilga Portugal, Rede ex aequo, Panteras Rosa ou UMAR alertam para "o impacto extremamente negativo" da decisão, exigindo um esclarecimento dos responsáveis quanto aos seus motivos. Fonte oficial da TVI garantiu que esta carta terá "todo o respeito, tal como acontece em relação a outras mensagens provenientes de pessoas e instituições igualmente credíveis que se manifestam em sentido contrário". Mas a estação televisiva de Queluz deixa clara a sua posição: "a TVI e a Plural não abdicam do seu direito, nem fogem da sua responsabilidade, de serem o último decisor em relação ao conteúdo das suas emissões no pleno exercício da sua liberdade artística e editorial". "Não podemos deixar de considerar fortemente irónico que sejam exactamente a TVI e a Plural que tanto têm feito, por vezes sozinhas, pela abordagem sensata e aberta de temas mais incómodos para a sociedade portuguesa, a serem considerados responsáveis de "retrocesso civilizacional", o que refutamos liminarmente", acrescentou a mesma fonte. Apesar das cenas interpretadas pelos actores Miguel Santiago (Fábio) e Carlos Malvarez (Nuno) estarem gravadas, o actual director de programas da TVI e da Plural, André Cerqueira, terá ordenado o corte das imagens que contivessem trocas de beijos entre os dois jovens. Para os 10 colectivos é "importante que o desenvolver da série seja inclusivo e se estenda sem discriminações à realidade de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros". "A sociedade portuguesa está mais do que preparada para assistir às imagens desta história de amor, que afinal é igual a tantas outras", sublinham. "Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade, tendo em conta os critérios avaliados para o horário e público a que se destina a série, mas sempre com respeito pelo compromisso de igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa (Art. 13º), no Tratado da União Europeia (Art. 10º) e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Art. 21º), que no caso aqui apresentado se relaciona directamente com um tratamento desigual baseado na orientação sexual das personagens", argumenta-se naquele documento. Cerqueira referiu a uma publicação aquando da apresentação da série, há um mês, que "esse (cenas do casal gay) não é o nosso propósito (da série)". "Nunca fizemos (cenas de afecto homossexual) nesta série", frisou.Fonte: JN
Sem comentários:
Enviar um comentário